Ataques a navios por parte do Irã sugerem um cenário muito preocupante para a guerra. A possibilidade real e próxima de estrangulamento de parte significativa do fornecimento de petróleo que vem do Golfo Pérsico agrava ainda mais a situação.
O cenário ganhou cores fortes também pelo fato de vários países membros da Agência Internacional de Energia terem anunciado a liberação de uma grande quantidade de suas reservas estratégicas de petróleo.
A liberação é considerada inédita no seu volume — 400 milhões de barris —, o dobro da liberação ocorrida no início da guerra da Ucrânia, há quatro anos.
O presidente americano parece ter sido apanhado de surpresa, não tanto pela reação do Irã, que está sendo mais ou menos a esperada, mas pela proporção que tomou a questão do impacto da queda de fornecimento de petróleo sobre a economia global em geral e sobre os preços aos consumidores americanos em particular.
Essa surpresa traduz o que se disse desde o início da guerra: a falta de planejamento para ações militares de grande porte.
Parte da imprensa americana está relatando também a surpresa de congressistas americanos que foram informados secretamente pelo Pentágono sobre a guerra. “Não havia um conjunto de objetivos coerente nem como atingi-los”, disse um deles, quando Trump começou a guerra.
Uma das frases mais famosas repetidas por manuais de estratégia diz que nenhum plano resiste ao primeiro contato com o inimigo. Ou seja, um plano precisa ser sempre revisto e adaptado diante das mudanças das circunstâncias.
Mas Trump nem sequer tinha um plano.