O Instituto Proshark registrou, pela primeira vez, a agregação e marcação via satélite de tubarões-tigre nas proximidades da Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis, litoral sul do Estado do Rio de Janeiro.
A iniciativa, divulgada à CNN Brasil integra o Programa de Monitoramento Integrado de Tubarões e Raias do estado do Rio de Janeiro, conduzido pelo Instituto, e representa o primeiro monitoramento ativo e contínuo da espécie com telemetria satelital em toda a região Sudeste-Sul do Brasil.
Até então, os registros eram restritos a Fernando de Noronha e Recife, em Pernambuco. No Recife, um edital foi lançado para monitoramento da espécie, motivado por histórico de incidentes.
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Já no caso do Rio de Janeiro, o cenário é diferente. Não há registros de incidentes até então com tubarões-tigre na Baía da Ilha Grande. “Temos a oportunidade de desenvolver essa pauta sob uma perspectiva preventiva, baseada em ciência, gestão e antecipação de riscos”, reforça Fernanda Lana, diretora-presidente do Instituto Proshark.
Trata-se de uma articulação inédita no estado entre ciência aplicada, tecnologia de ponta e gestão pública ambiental, voltada à antecipação de riscos, qualificação do planejamento costeiro e promoção da coexistência responsável.
A Baía da Ilha Grande é estratégica para o litoral brasileiro, reunindo alta biodiversidade, intensa atividade náutica e fluxo constante de visitantes ao longo do ano. Confirmar cientificamente a presença e a agregação de um dos maiores predadores marinhos do planeta nesse contexto amplia o interesse público da pauta e reforça a importância de decisões baseadas em evidência.
O tubarão-tigre é considerado globalmente ameaçado, principalmente em razão da pressão pesqueira sobre juvenis. Em diversas regiões do mundo, a espécie é associada a incidentes com humanos. Na Baía da Ilha Grande, entretanto, a convivência histórica sempre foi harmoniosa — e agora passa a ser acompanhada por dados científicos em tempo real.
Avistou? Avisou!
A identificação da agregação de tubarões-tigre teve início por meio da campanha de ciência cidadã “Avistou? Avisou!”, que mobiliza pescadores, mergulhadores, moradores e turistas. A partir desses relatos, a equipe intensificou as expedições de campo, realizou as marcações e passou a receber dados em tempo real, permitindo análises preliminares sobre deslocamento, permanência na área, uso de habitat e padrões comportamentais.
*Sob supervisão de Thiago Félix