O futebol brasileiro consolidou sua posição como a segunda maior força financeira do mercado global de transferências nesta janela. Com um investimento total de 245 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão), os clubes da elite brasileira superaram times tradicionais como a Série A da Itália e a La Liga da Espanha, ficando atrás apenas da Premier League inglesa, que desembolsou 453,1 milhões de euros, segundo dados do Transfermarkt.
Abaixo do Brasil no ranking de gastos, aparecem ligas como a MLS (186,2 mi de euros), a Liga Saudita (147,7 mi de euros) e a Bundesliga alemã (106,9 mi de euros).
A “Premier League” da América do Sul
Para especialistas, a capacidade de retenção e repatriação de talentos transformou o país em um hub estratégico.
“Eu diria que, dentro do ecossistema sul-americano, não é exagero afirmar que o Brasil hoje exerce um papel semelhante ao da Premier League em relação à Europa periférica. Ele atrai, desenvolve, expõe e vende melhor”, explica Marcos Casseb, sócio da Roc Nation Sports.
“O Brasileirão teve mais jogadores convocados na seleção do Uruguai do que a própria liga inglesa em determinado momento das Eliminatórias, mostrando que atuar no país dá relevância futebolística continental”, completa.
SAF
“Os motivos são, principalmente, o amadurecimento das SAFs, reguladas há menos de 2 anos, e a enorme injeção de investimento das bets no mercado, que permitiu a maior profissionalização da gestão dos campeonatos e o crescimento das receitas de TV”, analisa Assayag.
Liderança nas finanças
O ranking de investimentos no Brasil é liderado pelo Flamengo, que desembolsou R$ 341,4 milhões no total, incluindo a compra
de Lucas Paquetá. O Palmeiras (R$ 192,1 mi) e o Cruzeiro (R$ 174,1 mi) completam o pódio. O clube mineiro, inclusive, foi responsável por uma das maiores transações ao trazer o meia Gerson, ex-Zenit, por 27 milhões de euros.
Para Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, o país recuperou seu poder de sedução: “Para muitos atletas jovens, ficar ou retornar significa jogar em alto nível, estar mais próximo da seleção e ainda garantir segurança financeira, algo que, no passado, só o futebol europeu parecia proporcionar”.
Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, reforça que o Brasil deixou de ser apenas exportador. “Os clubes estão mais organizados e a exposição internacional é muito maior. Isso faz com que o Brasil se torne uma vitrine atrativa para atletas de diferentes países”.
Mercado vizinho
O retorno de grandes nomes também fortalece a marca do campeonato. “A volta do Neymar Jr. ao Santos simboliza esse novo momento: um movimento que mostra que nossos clubes voltaram a ser protagonistas”, destaca Marcelo Teixeira, presidente do Santos.
Além dos brasileiros, o país se tornou o “mercado intermediário” ideal para sul-americanos que visam a Europa. “A busca por um campeonato mais competitivo fez com que o Brasil olhe mais para fora, e o lucro pela valorização de jogadores estrangeiros é, na maioria das vezes, muito maior que dos brasileiros”, conclui Marcos Casseb.