Donald Trump rejeitou a ideia de apoiar Reza Pahlavi, herdeiro da monarquia iraniana exilado há décadas, como potencial futuro governante do Irã. Em participação no CNN 360º desta terça (3), Fernanda Magnotta, analista de Internacional da CNN, destacou que Pahlavi enfrenta sérios problemas de legitimidade que dificultariam sustentação de um eventual governo liderado por ele.
Magnotta afirmou que Pahlavi possui uma significativa desconexão com a realidade iraniana atual. “Ele está exilado nos Estados Unidos, onde ele desde então mora, e ele é tido, então, por boa parte dos iranianos como um estrangeiro, mais do que como alguém que conheça e viva essa realidade”, explicou a especialista.
A análise aponta dois grandes desafios para qualquer cenário de mudança de regime no Irã. O primeiro seria o efetivo enfraquecimento das estruturas atuais de poder, algo que não parece estar acontecendo. “Não dá para presumir a queda do regime quando ele ainda detém o monopólio da força, ainda tem capacidade de controle e comando e ainda é a força legisladora”, afirmou Magnotta.
O segundo desafio, segundo a analista, seria encontrar uma liderança capaz de aglutinar os diversos grupos opositores ao regime atual: “A gente tem dentro desse mesmo sistema social uma lista de opositores absolutamente fragmentada que vai dos liberais secularistas até as minorias étnicas passando pelos reformistas islâmicos, os nacionalistas, o pessoal da diáspora”.
Além da falta de legitimidade interna, Pahlavi também não demonstra possuir instrumentos reais de poder que permitiriam governar o país. “Ele vai ser vítima, se eventualmente fosse colocado lá como um fantoche, da falta dessa base social organizada dentro do próprio país”, observou a especialista.
A analista também lembrou que o regime monárquico anterior à Revolução Islâmica de 1979, liderado pelo pai de Reza Pahlavi, também era marcado por forte repressão, o que contribuiu para a própria revolução que instaurou o atual regime teocrático. Essa memória ainda persiste entre as gerações mais velhas de iranianos, criando mais um obstáculo à aceitação de um retorno da família Pahlavi ao poder.