As chuvas intensas que atingem o município de Juiz de Fora, em Minas Gerais, desde o início da semana agravaram a situação dos moradores que já sofriam com os temporais na região. Com quase 50 mortes registradas e buscas por desaparecidos em andamento, muitas famílias foram obrigadas a deixar suas casas e pertences para trás.
No bairro Três Moinhos, um dos mais afetados pela tragédia, três imóveis desabaram durante a noite de quarta-feira (25) após a chuva voltar a cair de forma intensa. As construções afetadas estavam desocupadas, porque os moradores já haviam sido orientados pela Defesa Civil para evacuar as residências por questões de segurança.
Caetano Soldati, que mora na região há mais de 40 anos, relatou que, junto da filha Michele Soldati, precisou abandonar sua casa na terça-feira. “Na minha casa caiu o barranco. Estamos morando na casa da minha neta, com a minha família. Graças a Deus, tiramos toda a nossa família”, contou Caetano, visivelmente abalado.
Emocionada, Michele, revelou um dos momentos mais difíceis da evacuação: “A gente também deixou os nossos bichinhos ali, porque não teve lugar para ir. A gente fica aquele misto de sentimento, de dor, de tudo”. Ela descreveu o trauma vivido durante o temporal: “Eu senti que estava sendo soterrada. O medo foi tão grande que eu agarrei minha filha e senti que eu estava sendo soterrada”.
O volume de chuva que caiu durante a madrugada de hoje (26) foi superior a 80 milímetros, um volume considerado alto, que voltou a alagar ruas e avenidas. O cenário é descrito como desolador, com áreas completamente alagadas e interditadas.
Situação crítica nos bairros afetados
A região onde os bairros Vitorino, Três Moinhos, Santa Rita e Grajaú estão em situação crítica, com muitas casas localizadas em áreas de encosta. O acesso ao local é restrito e só é possível com escolta da Guarda Municipal.
Para auxiliar na mitigação dos problemas causados pelas chuvas, 10 caminhões do Exército Brasileiro, juntamente com 100 militares, devem chegar à cidade nesta quinta-feira. Enquanto isso, os moradores desabrigados buscam alternativas e aguardam orientações sobre possíveis auxílios para aluguel, já que não podem retornar para suas casas.