Há exatos dois anos, no dia 16 de fevereiro de 2024, o mundo recebeu a confirmação de que o ativista russo Alexei Navalny havia morrido na prisão.
Navalny era o principal opositor e inimigo político do presidente Vladimir Putin. Ele estava preso em uma colônia penal ao norte do Círculo Polar Ártico, onde cumpria pena de 11 anos e meio por fraude e outras acusações, que sempre negou.
Um relatório divulgado no sábado (14) apontou que Navalny foi assassinado na prisão por uma toxina letal encontrada em rãs-flecha venenosas da América do Sul.
Análises de amostras coletadas do corpo de Navalny “confirmaram a presença de epibatidina”, uma substância que não é encontrada naturalmente na Rússia.
O documento foi assinado por cinco países europeus — Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Holanda — e afirma que o governo da Rússia “tinha os meios, o motivo e a oportunidade de administrar esse veneno” a Navalny.
Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o relatório era ”preocupante” e que os Estados Unidos não tinham motivo para duvidar das conclusões.
A versão das autoridades russas na época da morte foi a de que o opositor sofreu um mal súbito durante uma caminhada.
“A equipe médica da instituição [prisional] chegou prontamente, e uma equipe de ambulância foi chamada. Todas as medidas de reanimação necessárias foram tomadas, mas não produziram resultados positivos”, afirmou a nota do serviço penitenciário da Rússia na ocasião.
Autoridades russas negaram repetidamente qualquer responsabilidade pela morte de Navalny.
Condições congelantes em prisão na Sibéria
Alexei Navalny ficou preso por três anos antes de morrer. Primeiro em um presídio perto de Moscou para apenas depois ser transferido para a colônia penal IK-3 (Lobo Polar) ao norte do Círculo Polar Ártico, onde ficou apenas dois meses vivo.
Em dezembro de 2023, a equipe do opositor perdeu o contato com ele por quase 20 dias.
O ativista chegou a relatar que dormia debaixo de um jornal para se aquecer e tinha de fazer as suas refeições em 10 minutos.
Durante uma audiência por vídeo para um tribunal de Moscou, um dia antes de morrer, ele descreveu as condições “congelantes” dentro da prisão.
A porta-voz de Navalny, Kira Yarmysh, disse que a situação na prisão siberiana era “muito pior” do que no presídio onde era mantido perto de Moscou. Segundo ela, o centro de detenção fazia muito frio e, alguns dias, a luz solar aparecia por apenas duas horas.
“Eles definitivamente tentaram isolar Alexei e tornar mais difícil avaliá-lo lá”, contou em janeiro, um mês antes da morte de Navalny.
Primeira tentativa de envenenamento
Em 2020, Navalny sobreviveu a uma tentativa de envenenamento durante uma viagem na Sibéria. Ele passou mal após tomar um chá no aeroporto. Ele acabou sendo levado para a Alemanha, onde ficou internado em coma.
Depois de uma investigação, o governo alemão concluiu que Navalny foi envenenado com um agente químico nervoso do grupo Novichok. Em 2018, a mesma substância foi utilizada para envenenar o ex-espião russo Sergei Skripal e a filha no Reino Unido. A Rússia negou envolvimento na ação.
O Novichok é um grupo de agentes que atacam o sistema nervoso desenvolvido pela União Soviética nos anos 1970 e 1980.
Depois de se recuperar, Navalny voltou a Moscou, onde foi preso e condenado a mais 19 anos de prisão por extremismo e fraude, crimes que ele sempre negou.