O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receberá o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca nesta quarta-feira (11), onde o premiê deverá pressioná-lo a ampliar as negociações entre os EUA e o Irã para incluir restrições ao arsenal de mísseis de Teerã e outras ameaças à segurança que vão além do programa nuclear iraniano.
Em seu sétimo encontro com Trump desde que o presidente retornou ao cargo há quase 13 meses, Netanyahu buscará influenciar a próxima rodada de discussões entre os EUA e o Irã, após as negociações nucleares realizadas no Omã na última sexta-feira (6), em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.
Trump ameaçou realizar ataques contra o Irã caso um acordo não seja alcançado, e Teerã respondeu com promessas de retaliação, alimentando temores de uma guerra regional mais ampla. Ele tem reiteradamente manifestado apoio a um Israel seguro, um aliado próximo dos EUA no Oriente Médio e um dos principais inimigos do Irã.
O presidente reiterou seu aviso em uma série de entrevistas à imprensa na terça-feira (10), afirmando que, embora acredite que o Irã queira chegar a um acordo, ele fará “algo muito duro” caso o país se recuse.
Trump diz não a armas nucleares e mísseis iranianos
Trump disse à Fox Business que um bom acordo com o Irã significaria “nada de armas nucleares, nada de mísseis”, mas não deu detalhes. Em entrevista à Axios, ele afirmou estar considerando o envio de um segundo grupo de ataque de porta-aviões como parte de um grande aumento da presença militar americana perto do Irã.
Israel está preocupado com a possibilidade de os EUA buscarem um acordo nuclear restrito, que não inclua limitações ao programa de mísseis balísticos do Irã nem o fim do apoio iraniano a grupos armados como o Hamas e o Hezbollah, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
“Apresentarei ao presidente nossas percepções sobre os princípios das negociações”, disse Netanyahu a repórteres antes de partir para os Estados Unidos.
Os dois também poderiam discutir uma possível ação militar caso a diplomacia entre EUA e Irã fracasse, segundo uma das fontes.
Após chegar a Washington na noite de terça-feira (10), Netanyahu se reuniu com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e com o genro de Trump, Jared Kushner, que liderou a equipe americana nas negociações com o Irã, segundo uma publicação no X feita pelo embaixador de Israel em Washington, Michael Leiter.
Faixa de Gaza na agenda
A Faixa de Gaza também estará na agenda, com Trump buscando avançar com o acordo de cessar-fogo que ele ajudou a intermediar.
O progresso em seu plano de 20 pontos para encerrar a guerra e reconstruir o território palestino devastado está estagnado, com grandes divergências ainda existentes sobre as complexas etapas previstas, incluindo o desarmamento do grupo Hamas à medida que as tropas israelenses se retiram em fases.
“Continuamos a trabalhar em estreita colaboração com nosso aliado Israel para implementar o histórico acordo de paz de Gaza do presidente Trump e fortalecer a segurança regional”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, quando questionada sobre as prioridades dos EUA para a reunião.
A visita de Netanyahu, originalmente agendada para 18 de fevereiro, foi antecipada em meio ao renovado engajamento dos EUA com o Irã. Os dois lados, na reunião da semana passada em Omã, disseram que o encontro foi positivo e que novas conversas eram esperadas em breve.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na semana passada, antes da reunião com Omã, que as negociações teriam que incluir o alcance dos mísseis iranianos, o apoio do país a grupos paramilitares e o tratamento dado à sua própria população.
O Irã, que descartou restrições aos seus mísseis, declarou que as discussões de sexta-feira se limitaram a questões nucleares.
Trump tem se mostrado vago quanto à possibilidade de ampliar as negociações. Ele foi citado pela Axios na terça-feira (9) afirmando que era “óbvio” que qualquer acordo incluísse o programa nuclear iraniano, mas que também considerava possível abordar o arsenal de mísseis do país.
O Irã afirma que suas atividades nucleares têm fins pacíficos, enquanto os EUA e Israel o acusam de tentativas passadas de desenvolver armas nucleares.
Em junho passado, os EUA se juntaram aos ataques israelenses contra instalações nucleares iranianas durante um conflito de 12 dias.
Israel também danificou consideravelmente as defesas aéreas e o arsenal de mísseis do Irã. Mas, segundo dois oficiais israelenses, há indícios de uma tentativa de restaurar essas capacidades, que Israel considera uma ameaça estratégica.
No mês passado, Trump ameaçou intervir militarmente durante a violenta repressão aos protestos antigovernamentais em todo o Irã, mas acabou desistindo.

Israel teme a reconstrução de um Irã enfraquecido
A influência regional de Teerã foi enfraquecida pelo ataque de Israel em junho, bem como pelos golpes sofridos por grupos apoiados pelo Irã — do Hamas em Gaza ao Hezbollah no Líbano, dos Houthis no Iêmen às milícias no Iraque — e pela deposição do ex-presidente sírio Bashar al-Assad, aliado próximo de Teerã.
Mas Israel teme a reconstrução de seus inimigos após as pesadas perdas sofridas na guerra em múltiplas frentes, desencadeada pelo ataque transfronteiriço do Hamas ao sul de Israel em outubro de 2023.
Embora Trump e Netanyahu tenham se mostrado em grande parte alinhados e os EUA continuem sendo o principal fornecedor de armas de Israel, as discussões desta quarta-feira (11) têm potencial para gerar tensões.
Parte do plano de Trump para Gaza contempla a perspectiva de uma eventual criação de um Estado palestino — algo a que Netanyahu e sua coalizão, a mais à direita da história de Israel, resistem há tempos.
O gabinete de segurança de Netanyahu autorizou, no domingo, medidas que facilitariam a compra de terras por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada, ao mesmo tempo que concederiam a Israel poderes mais amplos no que os palestinos consideram o coração de um futuro Estado.
A decisão israelense gerou condenação internacional.
“Sou contra a anexação”, declarou Trump à Axios, reiterando sua posição sobre o assunto. “Já temos coisas suficientes com que nos preocupar.”