Na abertura do ano legislativo, a Câmara dos Deputados retoma os trabalhos com calendário apertado em razão do período eleitoral, o que deve concentrar votações nas primeiras semanas de funcionamento do plenário.
Na primeira segunda-feira (2) de trabalhos do ano, os deputados podem analisar a medida provisória que trata do Auxílio Gás e a MP que abre crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões destinado ao setor rural, consideradas prioritárias pelo governo. A expectativa é de que a pauta avance rapidamente, diante do prazo de vigência das medidas e da necessidade de evitar a perda de validade dos textos.
O programa Gás do Povo é uma iniciativa do governo Lula que substitui o Auxílio Gás e oferece gratuitamente a recarga do botijão de gás para famílias com renda familiar igual ou inferior a meio salário-mínimo.
A segunda pauta prioritária abre crédito para o setor rural para o combate a pragas e doenças de animais ou plantas. Os créditos extraordinários são liberados em situações de urgência e permitem o uso imediato dos recursos.
Segundo a Câmara, os valores serão destinados à prevenção e ao combate a emergências agropecuárias relacionadas à gripe aviária, diante da declaração de estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional.
Além dessas medidas, o líder da Casa, Hugo Motta, também já sinalizou outras pautas que devem ganhar espaço no primeiro semestre da agenda legislativa de 2026, mesmo em um ano marcado pelo calendário eleitoral.
Entre os temas apontados como prioritários está o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Hugo defende que a discussão avance de forma responsável, com diálogo entre governo, setor produtivo e trabalhadores, diante do impacto potencial da medida sobre o mercado de trabalho e a economia.
Outra frente destacada pelo presidente da Câmara é a regulamentação da inteligência artificial. Segundo ele, o Congresso deve se debruçar sobre regras que tratem do uso da tecnologia, seus efeitos sobre a produtividade, o emprego e a proteção de dados, além dos reflexos econômicos da adoção crescente dessas ferramentas no país.
A expectativa é de que esses temas sejam debatidos paralelamente à pauta econômica do governo, com esforço para concentrar votações relevantes no primeiro semestre, período em que o Legislativo tende a manter um ritmo mais intenso de atividades.