Os Estados Unidos acusaram Cuba de interferir no trabalho de seu principal diplomata em Havana neste domingo (1º) , depois que pequenos grupos de cubanos o vaiaram durante reuniões com moradores e representantes religiosos nos arredores da capital.
Em meio às crescentes tensões entre os dois países, o Departamento de Estado americano acusou o governo cubano de usar “táticas de intimidação fracassadas” nas redes sociais, e exigiu que Havana parasse de “enviar indivíduos para interferir no trabalho diplomático” do encarregado de negócios dos EUA, Mike Hammer.
A tensão entre os dois países, inimigos de longa data, aumentou depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a qualquer país que fornecesse petróleo à ilha caribenha governada por comunistas.
Trump declarou que Cuba representava uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA. No domingo, o líder americano disse que Cuba era “uma nação falida”, mas acrescentou: “Acho que vamos chegar a um acordo com Cuba”.
Hammer, um diplomata de carreira que chegou a Cuba no final de 2024, viajou extensivamente pela ilha para se encontrar com dissidentes políticos, representantes da Igreja Católica e outros. O governo cubano o acusa de tentar fomentar a instabilidade.
No sábado (31), ele publicou um vídeo descrevendo um suposto assédio após uma reunião com líderes religiosos locais.
“Quando saí da paróquia, alguns comunistas, certamente frustrados com o rumo que a revolução está tomando, gritaram obscenidades para mim”, disse Hammer no vídeo publicado nas redes sociais.
Posteriormente, surgiram vários outros vídeos mostrando pequenos grupos de pessoas em dois locais durante apagões noturnos, provocando Hammer com gritos de “Assassino!” e “Imperialista!”.
A agência de notícias Reuters não conseguiu identificar as pessoas nos vídeos, e o governo cubano não se pronunciou sobre o assunto.
No ano passado, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba reclamou a Hammer sobre um comportamento que considerou “intervencionista” e alegou que ele incitava os cubanos a cometer crimes e atacar o Estado.
A Embaixada dos EUA, que produziu os vídeos, negou as acusações e afirma que Hammer está simplesmente fazendo seu trabalho.
Os dois países vizinhos estão em conflito desde a revolução de Fidel Castro em 1959, mas uma grave crise econômica na ilha e a crescente pressão do governo Trump levaram o conflito a um ponto crítico recentemente.