A crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irã coloca o presidente americano Donald Trump diante de um dilema estratégico e político.
A possibilidade de um ataque aéreos de Washington contra o Irã já estão causando divisões entre seus apoiadores, segundo o professor Carlos Gustavo Poggio, especialista em Relações Internacionais do Berea College.
“O primeiro ataque ao Irã já gerou esse racha na base dele. Já tem muita gente na base de Trump que está se afastando um pouco desta política mais agressiva que ele tem usado do ponto de vista internacional”, explica Poggio.
O especialista destaca que Trump tem optado por ataques aéreos por serem mais baratos e pontuais, evitando o envio de tropas terrestres.
“O que o Donald Trump tem preferido em termos de ataques é sempre esses ataques aéreos, como eu disse, mais baratos”, afirma Poggio.
Esta estratégia permite aos Estados Unidos escolher alvos específicos e realizar operações sem necessidade de presença física no território iraniano, como ocorreu em bombardeios anteriores que utilizaram aeronaves capazes de viajar por 12 horas com reabastecimento no ar.
Capacidade de destruição versus controle político
Poggio aponta um paradoxo fundamental na estratégia militar americana: a capacidade de destruir não equivale à capacidade de controlar politicamente um território.
“Você tem a capacidade de destruir, não é a mesma capacidade de controlar. São coisas distintas e diferentes”, observa o professor.
A análise indica que, caso Trump opte por envolver tropas terrestres no conflito, o racha em sua base de apoio seria muito mais intenso.
“Se a gente começar a ter tropas no chão e isso tiver algum tipo de custo para os Estados Unidos, aí nós vamos ver um racha muito forte na base dele”, conclui o especialista, apontando o delicado equilíbrio que Trump precisa manter entre sua política externa agressiva e a promessa de “America First” que atraiu muitos de seus eleitores.