A atividade industrial da China apresentou desaceleração em janeiro, com a fraca demanda interna puxando a produção para baixo no início de 2026, segundo pesquisa oficial divulgada neste sábado (31).
O PMI (índice oficial de gerentes de compras) caiu para 49,3 em janeiro, ante 50,1 em dezembro, ficando abaixo da marca de 50 que separa o crescimento da contração. O índice ficou abaixo da previsão de 50,0 em uma pesquisa da Reuters com analistas.
Já o PMI do setor não manufatureiro, que inclui serviços e construção, caiu para 49,4, ante 50,2 em dezembro, atingindo o menor nível desde dezembro de 2022.
Huo Lihui, estatístico do Departamento Nacional de Estatísticas, afirmou em nota que alguns tipos de indústrias tradicionalmente entram em um período de baixa em janeiro e que a demanda de mercado permanece fraca.
A segunda maior economia do mundo atingiu a meta oficial de crescimento do governo de 5% no ano passado, impulsionada por fortes exportações que resistiram à pressão da ofensiva tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump.
Mas o número principal mascarou desequilíbrios profundos na economia. As vendas no varejo enfraqueceram ainda mais no último trimestre, levando o crescimento do PIB do quarto trimestre ao menor nível em três anos.
Crescem os sinais de preocupação entre os formuladores de políticas, à medida que a queda na demanda interna persiste. O governo antecipou 62,5 bilhões de yuans (US$ 8,99 bilhões) de fundos de títulos especiais de longo prazo do Tesouro para apoiar seu programa de subsídios para a substituição de diversos produtos, de eletrodomésticos a smartphones.
No início deste mês, o banco central chinês anunciou cortes nas taxas de juros setoriais e sinalizou que ainda há espaço para reduzir as exigências de reservas compulsórias dos bancos, além de implementar uma política monetária com mais cortes.
Enquanto as autoridades lutam para estimular o consumo das famílias, também estão se voltando para medidas que visam impulsionar o consumo de serviços, numa tentativa de absorver a produção do setor manufatureiro.
Ainda assim, analistas permanecem céticos quanto à capacidade dessas medidas de estabilizar o crescimento.
“Pequim terá que fazer muito mais nos próximos meses para alcançar uma taxa de crescimento anual do PIB acima de 4,5% em 2026. À medida que esgota suas ferramentas de política monetária de fácil implementação, os formuladores de políticas podem precisar de mais tempo para preparar ações mais abrangentes”, afirmou Ting Lu, economista-chefe para a China da Nomura, em nota.
O governo chinês prometeu priorizar o aumento da demanda interna este ano, ao mesmo tempo que intensifica o foco na autossuficiência tecnológica para reduzir a vulnerabilidade a bloqueios comerciais e medidas protecionistas.
O presidente Xi Jinping, em um seminário recente com a presença de altos funcionários do governo, defendeu o “desenvolvimento vigoroso da manufatura avançada” e prometeu “fazer da demanda interna a principal força motriz do crescimento econômico”.
A China provavelmente definirá a meta oficial de crescimento deste ano entre 4,5% e 5%, segundo o South China Morning Post, visto que os formuladores de políticas adotam uma abordagem cautelosa em relação aos estímulos, considerando a possibilidade de uma bolha no mercado de ações.
Analistas consultados pela Reuters preveem que o PMI (Índice de Gerentes de Compras) do setor privado, segundo a RatingDog, ficará em 50,3, acima dos 50,1 registrados no mês anterior. Os dados serão divulgados em 2 de fevereiro.