Escolhido de Trump ao Fed enfrentará desafio no Senado americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o economista Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve. Mas, para assumir o cargo, Warsh terá uma jornada difícil pelo Senado.

Primeiro, Warsh precisa ser aprovado pelo Comitê Bancário do Senado para, posteriormente, passar pelo plenário da Casa Alta do Congresso americano. No entanto, senadores já explicitaram que irão bloquear qualquer avanço da indicação de Trump.

Os congressistas cobram o fim da investigação criminal contra o atual presidente do Fed, Jerome Powell, sobre supostas irregularidades na reforma do prédio da instituição, para que a nomeação de Warsh passe por qualquer votação.

Os parlamentares também desejam que a Casa Branca desista de tentar demitir a diretora do Fed, Lisa Cook – algo barrado temporariamente pela Suprema Corte. Eles criticam as movimentações por considerá-las como tentativas de intervenção política de Trump na política monetária do país.

“Nenhum republicano que diga se importar com a independência do Fed deveria concordar em seguir com a nomeação até que Trump large a caça contra o atual presidente do Federal Reserve e a diretora, Lisa Cook”, disse a senadora de Massachusetts, Elizabeth Warren.

O líder democrata no Senado dos Estados Unidos, Chuck Schumer, disse que os republicanos não deveriam aprovar a indicação do presidente Donald Trump para chair do Federal Reserve, se as ações do Departamento de Justiça contra Jerome Powell não forem retiradas.

O discurso de Warren e de Schumer encontrou ressonância na oposição. O senador republicano Thom Tillis, que é um voto-chave na Comissão Bancária, reforçou que seguirá barrando a medida “enquanto o inquérito do Departamento de Justiça contra Powell não seja resolvido de forma total e transparente.”

Tillis reconheceu, no entanto, que Warsh é “um indicado qualificado e com um grande conhecimento de política monetária.”

Trump, como resposta, chamou o senador de “obstrutor”.

“Se ele não aprovar a nomeação, vamos ter que esperar até que alguém apareça e aprove, certo?”, disse Trump no Salão Oval. O presidente americano, ao mesmo tempo, defendeu sua indicação, dizendo que Warsh “é coisa de cinema, elenco central.”

Além disso, negou ter perguntado para o possível futuro presidente do Fed se ele iria reduzir a taxa de juros – mas disse ter confiança em uma queda. “Eu não quero fazer essa pergunta a ele. Eu acho inapropriado, possivelmente. Provavelmente seria permitido, mas eu quero deixar as coisas agradáveis e puras. Mas certamente ele quer cortar os juros”, disse.

Warsh é ex-diretor do Fed, teve passagem por grandes bancos do país, foi assessor especial de política econômica do presidente George W. Bush, além de professor-assistente em uma universidade americana.

Ele já tinha sido cotado para assumir a Secretaria do Tesouro no segundo mandato de Trump, cargo que terminou nas mãos de Scott Bessent. Warsh é favorável à redução nas taxas de juros, apontando para ganhos de produtividade no país, especialmente com a inteligência artificial.

O indicado de Trump defende uma reforma no Federal Reserve, por considerá-lo muito dependente de dados antigos para orientar decisões de política monetária, mas afirma que o banco siga independente.

Um dos temores é que o substituto de Powell sofra grande influência de Trump para mudar os juros, em um ataque claro à instituição.

Agora, Warsh terá o desafio de provar para os mercados e para o resto do mundo que é independente de Donald Trump.

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