(FOLHAPRESS) – Música instrumental tem menos apelo de público e menos bandas dedicadas, talvez porque os ouvintes tenham sido acostumados pela indústria cultural a esperar um refrão para cantar junto. Mas é justamente neste tipo de som que a guitarrista Jessica Falchi decidiu apostar.
“Quem sabe a gente começa a popularizar mais o gênero”, diz a musicista de 31 anos, numa conversa dias antes do lançamento de seu EP de estreia, “Solace”. O disco chegou às plataformas de streaming na última sexta-feira (23), com quatro músicas executadas por um trio chamado apenas Falchi -além de Jessica, conta com João Pedro Castro no baixo e Luigi Paraventi na bateria.
Mais conhecida por ter tocado com a banda de death metal Crypta, a guitarrista saiu do grupo há cerca de um ano para se aventurar solo. Em seu EP, ela segue tocando metal, mas deixa as variantes extremas do gênero para trás e se concentra num heavy metal mais clássico e melódico, com um pé no progressivo.
Além disso, há nas quatro faixas ecos de guitarristas virtuosos clássicos, como Joe Satriani e Steve Vai. Ela conta ter começado a tocar seu instrumento por volta de 12 ou 13 anos tirando músicas destes guitarristas, influenciada por seu professor à época, em Monte Alto, no interior do estado de São Paulo, onde nasceu.
Outra grande inspiração de Falchi é a banda instrumental canadense Intervals, de metal progressivo, que ela já levava para as aulas de guitarra com vontade de tirar as músicas. O grupo é uma cria do guitarrista Aaron Marshall, instrumentista que Falchi afirma ter “uma vibe moderna” da qual é fã.
Marshall participa do EP na faixa “Sweetchasm, Pt. 1”, canção de pouco menos de quatro minutos que foi certamente a realização de um sonho de Falchi. “Cada música do EP representa uma faceta de subgêneros do metal e do rock. É isso o que sai de dentro de mim”, ela afirma, acrescentando que gosta de compor sem amarras e sem se prender a um estilo musical específico.
Falchi conta ter começado a se interessar por música por conta de seu avô, um músico autodidata que tocava violão, instrumento no qual ela deu seus primeiros passos, até passar para a guitarra devido à influência de seu professor de música. Com 19 ou 20 anos, ela diz, “entendi que realmente gostava muito de tocar”.
O show de lançamento do EP acontece em 21 de março, em São Paulo, quando a banda vai abrir para os suecos do Katatonia, um dos ícones do metal progressivo do século 21. Será mais um teste para a recepção do público em relação à música não tão comum de Falchi. Até agora, ela diz, seu trabalho teve uma repercussão muito boa. “A galera acolheu.”
LANÇAMENTO DO EP ‘SOLACE’
Quando 21 de março, sábado, a partir das 18h
Onde Cine Joia – praça Carlos Gomes, 82, São Paulo
Preço Ingressos a partir de R$ 230 mais taxas
Autoria Falchi
Link https://fastix.com.br/events/katatonia-em-sao-paulo

A canção, lançamento para o Carnaval, tem trechos com teor sexual, e a coreografia também remete a isso. Em imagens nas redes sociais, é possível ver a artista fazendo a dança com uma menina. Não há informações sobre o local da apresentação
Folhapress | 15:00 – 28/01/2026