As contas externas do Brasil foram deficitárias em US$ 68,79 bilhões em 2025. É o maior valor desde 2014, segundo dados do BC (Banco Central) publicados nesta segunda-feira (26).
Os números correspondem à diferença entre produtos exportados e importados, serviços contratados e gastos de brasileiros no exterior, além do envio de lucros para outros países.
O relatório de estatísticas do setor externo do Banco Central compila dados do comércio de mercadorias, balanço de pagamentos, taxa de câmbio, entre outras informações.
Veja a série histórica:
- 2014: déficit de US$ 110,5 bilhões;
- 2015: déficit de US$ 63,4 bilhões;
- 2016: déficit de US$ 30,5 bilhões;
- 2017: déficit de US$ 25,3 bilhões;
- 2018: déficit de US$ 53,8 bilhões;
- 2019: déficit de US$ 63,9 bilhões;
- 2020: déficit de US$ 24,2 bilhões;
- 2021: déficit de US$ 39,4 bilhões;
- 2022: déficit de US$ 41,96 bilhões;
- 2023: déficit de US$ 27,1 bilhões;
- 2024: déficit de US$ 66,16 bilhões;
- 2025: déficit de US$ 68,79 bilhões.
De acordo com o Banco Central, o aumento de US$ 2,6 bilhões no déficit está relacionado à redução de US$ 5,9 bilhões no superávit da balança comercial, o qual parcialmente compensado pela redução no déficit de serviços, US$ 2,2 bilhões. Também colaborou para o resultado o aumento no superávit de renda secundária, US$ 1 bilhão.
No ano passado, a balança comercial registrou superávit de US$ 60 bilhões, queda de 8,9% em relação a 2024. De janeiro a dezembro, as exportações de bens somaram US$ 350,9 bilhões (alta de 3,2%), enquanto as importações totalizaram US$ 290,9 bilhões (aumento de 6,2%). Tanto as importações quanto as exportações foram recordes nas séries históricas.
O Banco Central também informou que o déficit em serviços somou US$ 52,9 bilhões em 2025, redução de 4,1% comparativamente ao déficit em 2024, US$ 55,2 bilhões.
No acumulado do ano, o déficit em renda primária totalizou US$ 81,3 bilhões. É o mesmo valor observado em 2024.
Em 2025, o IDP (investimentos diretos no país) totalizou US$ 77,7 bilhões (3,41% do PIB), ante US$ 74,1 bilhões (3,39% do PIB) em 2024.
Dezembro
Somente no mês de dezembro, as transações correntes do balanço de pagamentos foram deficitárias em US$ 3,4 bilhões, ante déficit de US$ 10,2 bilhões no mesmo período de 2024.
Já a balança comercial de dezembro foi superavitária em US$8,8 bilhões. No mês, as exportações de bens somaram US$ 31,2 bilhões (alta de 24,3%) e as importações, US$ 22,4 bilhões (crescimento de 6,7%).
O déficit na conta de serviços totalizou US$ 3,8 bilhões em dezembro de 2025, ante ao déficit de US$ 5 bilhões registrado em dezembro de 2024. No mês, as despesas líquidas com viagens internacionais alcançaram US$ 1,2 bilhão, aumento de 19,5% em relação a dezembro de 2024.
No período, o déficit em renda primária somou US$ 9,2 bilhões, redução de 8,4% comparativamente ao déficit de US$ 10,1 bilhões em dezembro de 2024.
Os investimentos diretos no país registraram saídas líquidas de US$ 5,2 bilhões em dezembro de 2025, ante ingressos líquidos de US$ 160 milhões em dezembro de 2024.
Reservas internacionais
As reservas internacionais somaram US$ 358,2 bilhões em dezembro de 2025. O resultado representa uma redução de US$ 2,3 bilhões em relação a novembro.
Segundo o Banco Central, contribuíram para reduzir o estoque de reservas a concessão de linhas com recompra, US$ 4,5 bilhões, e as variações por preços, US$ 626 milhões, enquanto as variações por paridades, US$1,6 bilhão, e as receitas de juros, US$ 811 milhões, contribuíram para elevação do estoque.
Em dezembro, o estoque de reservas internacionais aumentou US$ 28,5 bilhões, na comparação com dezembro de 2024. Destacaram-se as contribuições positivas de variações por paridades, US$ 12,9 bilhões, receita de juros, US$ 8,9 bilhões, e variações por preço, US$ 6,8 bilhões.