Uma forte tempestade de inverno que atinge os Estados Unidos já deixou mais de 750 mil pessoas sem energia elétrica. Várias cidades estão enfrentando temperaturas abaixo de zero, e o frio extremo deve continuar nos próximos dias, preocupando autoridades e moradores. A apuração é de Mariana Janjácomo, ao Agora CNN.
Em Washington, onde a correspondente da CNN Brasil está, a sensação térmica chegou a -12°C. As ruas estão praticamente desertas, cobertas por uma espessa camada de neve, dificultando a locomoção tanto de pedestres quanto de veículos. “Não tem ninguém na rua. Só eu que vim aqui para mostrar para vocês exatamente o que está acontecendo aqui em boa parte da costa leste dos Estados Unidos”, relatou Mariana.
“Foi toda uma preparação para vir aqui na rua fazer essa entrada ao vivo”, brincou a repórter.
Para enfrentar as baixas temperaturas, a correspondente explicou que é necessário usar várias camadas de roupas: “Estou com uma bota de neve, porque andar na neve é difícil, escorrega. Ainda mais aqui, nevou tanto que a gente não tem noção mais do que é calçada, o que é rua, onde tem buraco. Então, está super perigoso, tem que tomar muito cuidado”. Além das botas especiais, ela usa duas calças (uma térmica), duas blusas (uma térmica), casaco, cachecol, capuz e luvas.
“Está muito frio e a nevasca continua. O que é pior é a chuva de granizo, pedrinhas que estou sentindo cair e isso deixa a situação ainda pior”, afirmou Janjácomo.
Impactos na mobilidade e infraestrutura
A nevasca tem provocado sérios transtornos para a mobilidade urbana. As autoridades estão pedindo para que as pessoas fiquem em casa sempre que possível. Caminhões especiais trabalham constantemente tentando limpar as vias para permitir a passagem de veículos essenciais. “Esses caminhões ficam passando justamente tentando livrar um pouco as ruas, para os carros poderem passar com mais facilidade, porque senão os carros param, realmente param, não tem como”, explicou Mariana.
“Tem gente que coloca corrente nos pneus dependendo da situação, é toda uma habilidade diferente dirigir na neve, por isso muita gente está em casa”, apontou.
A situação é ainda mais complicada pelo fato de a neve estar se acumulando nos fios de eletricidade, derrubando cabos e árvores, o que causa interrupções no fornecimento de energia. “Essa neve toda que se acumula aqui no chão, se acumula nos fios de eletricidade, derruba os fios, derruba árvores, derruba galhos e aí corta a energia de muita gente”, detalhou a correspondente.
Caos nas viagens aéreas
O setor aéreo também foi duramente afetado pela tempestade. Segundo Mariana Janjácomo, mais de 15 mil voos já foram cancelados desde sábado, incluindo viagens que chegariam ou sairiam dos Estados Unidos. Os cancelamentos já começaram a afetar também os voos programados para o dia seguinte.
A situação deve continuar impactando as viagens aéreas ao longo da semana, mesmo após o fim da tempestade, devido à dificuldade de acesso aos aeroportos e à impossibilidade de decolagem em condições climáticas adversas. “As viagens aéreas ainda devem continuar sofrendo um impacto ao longo dessa semana, assim como a cidade”, afirmou a correspondente.
O comércio local também foi afetado, com muitos estabelecimentos fechados porque os funcionários não conseguem chegar ao trabalho. A previsão é que os impactos da tempestade continuem sendo sentidos ao longo da semana, já que as baixas temperaturas fazem com que a neve demore mais para derreter.