O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve forte alta nesta semana, alcançando o patamar histórico de 178 mil pontos pela primeira vez. O movimento foi impulsionado pelo viés positivo no exterior, especialmente após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizar o tom em relação à Groenlândia.
No entanto, Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, disse em entrevista ao CNN Money que o cenário político brasileiro pode influenciar o desempenho do Ibovespa em breve.
“A eleição vai pesar mais ao longo dos próximos meses”, afirmou. Segundo ele, o investidor estrangeiro já tem uma visão mais negativa sobre o Brasil em períodos eleitorais, com volatilidade historicamente intensa.
Atualmente, os investidores estrangeiros estão mais focados no cenário internacional, mas o especialista alerta que o cenário eleitoral fragmentado tende a ganhar mais relevância nos próximos meses, podendo impactar significativamente o mercado.
De acordo com Cruz, o atual movimento de alta é típico de um fluxo estrangeiro para o Brasil.
“Esse movimento que a gente está vendo hoje, ele é bem típico de um fluxo estrangeiro para o Brasil, porque a gente tem as chamadas blue chips: além de Vale, Petrobras, os grandes bancos, as ações que têm maior peso dentro do Ibovespa e que têm principalmente a maior liquidez”, explicou.
O especialista destaca que o investidor estrangeiro busca ações com alta liquidez para facilitar entradas e saídas rápidas do mercado.
“O estrangeiro vem muitas vezes em dólar, a moeda deles vale mais e ele precisa de uma liquidez maior para se entrar e quiser sair rápido, conseguir fazer isso. Por isso que ele acaba ficando um pouco mais distante das chamadas small caps“, afirmou Cruz.
Cenário econômico americano
Sobre o PIB dos Estados Unidos, que foi corrigido para 4,4%, Cruz alerta para desafios no cenário internacional.
“Isso vai ser, com certeza, um dos maiores desafios do ano, essa disputa política que vai acontecer dentro do Banco Central americano, porque a inflação está bem distante da meta de 2% nos Estados Unidos e vem subindo, inclusive, recentemente”, comentou.
O especialista ressalta que as tarifas impostas pelo governo americano estarão em vigor durante todo o ano, diferentemente do ano passado, quando foram postergadas.
Isso pode pressionar a inflação e criar tensões dentro do Federal Reserve entre os dirigentes mais alinhados ao presidente Trump, que pedem cortes de juros mais rápidos, e os mais tradicionais, que temem um descontrole inflacionário.
Reforma tributária
Sobre a reforma tributária em implementação, Cruz comentou que a tributação de dividendos pode impactar o sistema financeiro brasileiro.
“O investidor busca maximizar o seu retorno. Se ele enxerga a tributação de dividendos como uma ameaça ao seu retorno, ele vai para outros papéis que ainda continuam isentos”, explicou.
O estrategista prevê que setores como o agronegócio e o imobiliário podem se tornar mais atrativos, assim como debêntures incentivadas para infraestrutura.
“O mercado financeiro é bem criativo para tentar maximizar o retorno dos investidores e captar recursos”, concluiu.