O ouro continua em trajetória de alta e se aproxima do patamar de US$ 5 mil por onça-troy, impulsionado pela busca de investidores por ativos seguros em meio ao cenário de instabilidade geopolítica global. Os principais contratos do metal registraram valorização de 1,35% nesta sexta-feira(23), alcançando US$ 4.979,70 por onça.
Segundo Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, o movimento de valorização do ouro não começou recentemente, mas vem ganhando força desde o ano passado. “Essa incerteza global que existe perante ao mundo no momento não é um movimento que começou agora. A gente percebe que ele vem ganhando força desde o ano passado”, afirmou.
Um fator determinante para a alta do metal precioso tem sido o comportamento dos bancos centrais de diversas economias, que aumentaram suas reservas em ouro como forma de proteção. “Os bancos centrais de diversas economias aumentaram as suas reservas no metal, no ouro, que tem justamente essa visão, ela tem essa função de ser uma proteção”, explicou Trotta, que compara o ouro a um “airbag” dentro da carteira de investimentos.
Alternativa aos títulos americanos
A migração de recursos dos bancos centrais para o ouro também sinaliza uma menor dependência dos títulos da dívida americana (treasuries), tradicionalmente vistos como um dos ativos mais conservadores do mundo. “Quando eles justamente migram essas reservas de um ativo que já é conservador, é muito líquido, que são as treasuries, e migram isso para o metal, o que eles estão dizendo em contrapartida, justamente que eles não querem mais ter um aspecto político”, observou o analista.
O Brasil também se juntou a esse movimento, com o Banco Central brasileiro voltando a comprar ouro no ano passado, algo que não fazia desde meados de 2021. Essa decisão reflete uma tendência global de buscar ativos que não estejam atrelados a decisões políticas de um país específico.
Perspectivas para os metais preciosos
De acordo com Trotta, enquanto persistirem as incertezas e a fragilidade global em relação às tensões geopolíticas, os metais preciosos devem seguir relevantes como investimento. Além do ouro, a prata também tem apresentado valorização significativa, impulsionada tanto pela busca por proteção quanto pela demanda industrial.
O especialista ressalta que, diferentemente de outros ativos que podem ser afetados por questões domésticas, como eleições, o movimento do ouro está muito mais relacionado a demandas institucionais em nível global e às tensões geopolíticas. “A gente percebe que tensões geopolíticas estão muito mais relacionadas ao movimento do metal do que de fato a algum cenário doméstico”, concluiu.