Maioria do mercado vê Selic estável na próxima semana

A expectativa do mercado financeiro é que o Banco Central mantenha a taxa básica de juros (Selic) no patamar de 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá na semana que vem. Segundo pesquisa realizada pela Broadcast, o afrouxamento da política monetária deve começar apenas em março, refletindo uma postura mais cautelosa da autoridade monetária frente aos dados recentes de atividade econômica e ao cenário externo mais turbulento.

A pesquisa ouviu 37 instituições financeiras, das quais 36 esperam manutenção da Selic em janeiro. Para março, 34 casas projetam redução da taxa, enquanto duas instituições preveem corte apenas em abril. Nas medianas das estimativas, a taxa deve permanecer em 15% ao ano em janeiro, recuar para 14,50% em março e chegar a 14% em abril.

Um dado relevante da pesquisa é a alteração na projeção para o fim do ciclo de cortes. A mediana das estimativas para a Selic no final de 2026 subiu para 12,38% ao ano, um ajuste em relação à pesquisa anterior, realizada em dezembro, quando a mediana era de 12%. Esta revisão para cima ocorreu após a divulgação de dados de atividade econômica mais fortes que o esperado no final do ano passado, indicando resiliência do consumo e mercado de trabalho ainda aquecido.

Fatores que influenciam a decisão do Copom

Renata Pedini, editora da Broadcast, destacou que o Banco Central tem reforçado uma postura muito dependente de dados. Essa abordagem, combinada com indicadores de atividade mais robustos, justifica a manutenção da Selic em janeiro, mesmo com uma melhora nas expectativas de inflação, que estão em 3,2% no horizonte relevante para a política monetária.

Além disso, o cenário externo se tornou mais desafiador nas últimas semanas, com aumento das tensões geopolíticas e elevação no preço do petróleo, fatores que impactam diretamente a inflação. Apesar desse contexto, alguns analistas esperam uma suavização no tom do comunicado que o Banco Central divulgará após a decisão, embora sem sinalização firme sobre os próximos passos.

O Itaú Unibanco, que anteriormente previa corte da Selic já em janeiro, revisou sua projeção e agora trabalha com redução de 0,25 ponto percentual apenas em março. O banco reconhece avanços no processo de desinflação, principalmente nos bens comercializáveis, mas considera necessária cautela por parte da autoridade monetária. Para o final de 2026, o Itaú projeta Selic em 12,75%.

Outro ponto abordado na pesquisa foi o fato de que o próximo Copom contará com apenas sete diretores, dos nove previstos, já que dois mandatos terminaram no final do ano passado e os novos nomes ainda não foram indicados pelo governo federal. Para os analistas consultados, no entanto, essa composição reduzida não representa um problema, pois consideram o corpo técnico remanescente bastante capacitado para tomar as decisões necessárias.

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