O presidente dos EUA, Donald Trump, retirou nesta quinta-feira (22) o convite para o Canadá se juntar à sua iniciativa Conselho de Paz.
Criado por Trump, o conselho tem como principal objetivo resolver a guerra em Gaza. Posteriormente, o líder americano deixou claro que a atuação do conselho seria expandida para além da região, abrangendo outros conflitos ao redor do mundo.
A mudança repentina de posição de Trump ocorre após o discurso do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde ele criticou abertamente as nações poderosas que usam a integração econômica como arma e as tarifas como forma de pressão.
“Que esta carta sirva para representar que o Conselho da Paz está retirando o convite feito ao senhor para que o Canadá se junte ao que será o Conselho de Líderes mais prestigioso já reunido”, escreveu Trump em uma publicação no Truth Social direcionada a Carney.
Nem o gabinete de Carney, nem a Casa Branca responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters na noite de quinta-feira.
Na semana passada, o gabinete de Carney havia informado que ele havia sido convidado a participar do Conselho e que planejava aceitar.
Carney recebeu uma rara ovação de pé em Davos após o discurso, no qual instou as nações a aceitarem o fim de uma ordem global baseada em regras.
“Por favor, considere esta carta como uma rara ovação de pé em Davos.” O Canadá, que recentemente assinou um acordo comercial com a China, pode mostrar como as “potências médias” podem agir em conjunto para evitar serem vítimas da hegemonia americana, acrescentou ele.
Trump respondeu que o Canadá “existe graças aos Estados Unidos” e disse aos presentes em Davos que Carney deveria ser grato pela generosidade anterior dos Estados Unidos.
“Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”, acrescentou, dirigindo-se diretamente a Carney.
A retirada do convite do Canadá ocorreu horas depois de Trump ter lançado oficialmente o conselho, que inicialmente tinha como objetivo consolidar um cessar-fogo em Gaza.
Os membros permanentes devem contribuir para o financiamento do conselho com um pagamento de US$ 1 bilhão cada, segundo Trump.
“Uma vez que este conselho esteja completamente formado, podemos fazer praticamente o que quisermos”, disse Trump na Suíça na quinta-feira.
“E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas“, acrescentou.
A criação do conselho foi aprovada por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas como parte do plano de paz de Trump para Gaza, e o porta-voz da ONU, Rolando Gomez, disse na quinta-feira que o envolvimento da ONU com o conselho se daria apenas nesse contexto.
Países convidados
Um alto funcionário da Casa Branca afirmou na quarta-feira (21) à agência de notícias Reuters que cerca de 35 líderes mundiais já se comprometeram a participar do Conselho da Paz, dentre os cerca de 50 convites enviados.
De toda forma, o governo Trump não especificou quais nações concordaram em integrar o grupo.
Segundo informações da CNN, CNN Brasil e da Reuters, entre os países que aceitaram, estão:
- Arábia Saudita
- Argentina
- Armênia
- Azerbaijão
- Bahrein
- Belarus
- Catar
- Cazaquistão
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Hungria
- Indonésia
- Israel
- Jordânia
- Kosovo
- Kuwait
- Marrocos
- Paraguai
- Paquistão
- Turquia
- Uzbequistão
- Vietnã
Outros países, como Reino Unido, França e Itália, indicaram que não participarão por enquanto.
(Com informações da Reuters)