Um vídeo feito por pesquisadores registrou sons semelhantes a miados de fêmeas de onça-pintada, no Parque Nacional do Iguaçu, no estado do Paraná. É a primeira vez que esse tipo de som é capturado na natureza.
As gravações mostram fêmeas chamando seus filhotes com sons semelhantes a miados, e os filhotes miando em resposta para localizar a mãe.
Os sons eram agudos e breves.
Devido ao tom agudo, à curta duração e ao padrão sequencial, o chamado lembra os miados típicos de gatos domésticos.
Veja vídeo cedido pelos pesquisadores à IFLScience:
O estudo foi feito por especialistas da Universidade de Salford, no Reino Unido, da Atlantic Technological University, na Irlanda, do WWF Brasil e pesquisadores do Projeto Onças-pintadas do Iguaçu.
As câmeras de monitoramento foram instaladas em vários pontos do parque.
“Esta pesquisa realmente aprofunda nosso conhecimento sobre como os grandes felinos se comunicam. Acreditamos que eles emitem esses sons para ajudar a localizar seus filhotes, mas também podem estar usando-os para fins reprodutivos, talvez para encontrar um parceiro. Parece muito fofo aos nossos ouvidos!”, afirmou Marina Duarte, pesquisadora da Universidade de Salford.
Esse padrão de comunicação surpreendeu a equipe de pesquisa e reforçou a complexidade das interações maternas entre os grandes felinos. As descobertas sugerem que as onças-pintadas podem usar vocalizações semelhantes a miados na comunicação entre mãe e filhote.
Muitos grandes felinos, como leões e tigres, são incapazes de miar devido à estrutura de sua traqueia e laringe.
“Até onde sabemos, esta é a primeira vez que se registram o uso desse tipo de comunicação por onças-pintadas, o que nos deixa extremamente entusiasmados”, disse a pesquisadora.
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Projeto Onças do Iguaçu
O Projeto Onças do Iguaçu é desenvolvido em parceria pelo Instituto Pró Carnívoros e pelo ICMBio, por meio do Parque Nacional do Iguaçu e do CENAP (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros).
Atua desde 2018 na conservação da onça-pintada no extremo oeste do Paraná, integrando pesquisa científica, monitoramento populacional, comunicação, educação e estratégias de coexistência. O projeto é referência nacional e internacional na conservação de grandes carnívoros.
*Sob supervisão de AR.