Análise: Davos mostra que Brasil, com agenda fraca, perdeu relevância

A ausência de autoridades de alto escalão do governo brasileiro no Fórum Econômico Mundial de Davos, que começou nesta segunda-feira (19) na Suíça, evidencia a perda de relevância internacional do país. O principal nome do governo previsto para participar desta edição é a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, um sinal da baixa prioridade dada pelo Brasil ao evento considerado o maior encontro econômico do mundo.

Segundo o analista de Economia do CNN Money Gilvan Bueno, durante o CNN Prime Time, essa fraca representação é um sintoma claro de que o Brasil tem perdido espaço nas relações internacionais. “Sim, isso é um sinal claro de que a gente tem perdido essa relação internacional”, afirmou durante entrevista ao CNN Prime Time.

Perda de atratividade para investimentos

Bueno apresentou dados que comprovam a deterioração da posição brasileira no cenário econômico global. “Existe um índice chamado MCI, que os grandes investidores utilizam para fazer suas alocações de capital. Historicamente, o Brasil tem perdido participação nesse índice”, explicou o analista, acrescentando que isso reflete a perda de atratividade do país para investimentos.

O especialista destacou também que o Brasil está há quase cinco anos sem grandes empresas abrindo capital, o que demonstra o desinteresse do investidor internacional pela economia brasileira. Além disso, citou um recente relatório do Banco Mundial que apontou três grandes fatores preocupantes para o país: juros reais muito altos, crescimento baseado principalmente em consumo e baixo investimento privado.

Falta de articulação prejudica o Brasil

Gilvan Bueno ressaltou ainda que a ausência brasileira em fóruns como Davos dificulta a participação do país em discussões estratégicas e órgãos internacionais importantes. “Nós estamos vivendo um momento sem precedentes em termos de desafio econômico, de protecionismo, de mudar novas parcerias econômicas, de achar novos atores, de fazer novas concessões”, explicou.

Como exemplo dessa falta de articulação internacional, o analista citou as recentes tarifações impostas aos produtos brasileiros pelos EUA. “A gente não faz aqui um trabalho preventivo e isso mostra a importância de termos aqui uma delegação mais representativa”, afirmou, lembrando que o país reagiu tardiamente quando se tornou um dos mais tributados em termos de tarifas comerciais.

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