Família de Eliza Samudio manda carta a Bruno por não encontrar filho; leia

A família de Eliza Samudio, jovem modelo morta em 2010, se posicinou por meio de uma carta sobre o não comparecimento do ex-goleiro Bruno em um encontro marcado com o próprio filho “Bruninho”. Segundo a madrinha do garoto, Maria do Carmo Santos, o evento teria sido marcado em um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro.

A carta enviada à CNN Brasil relata que Bruno teria tentado contato com o filho nos últimos três anos por meio das redes sociais. O jovem resistiu às aproximações, segundo o comunicado. Porém, ele teria aceitado ouvir o lado do pai sobre a história que envolve Eliza Samudio.

A madrinha de “Bruninho” afirma que a decisão foi respeitada por ela e por Sônia Moura, avó do jovem. Com a aprovação, foi decidido que um encontro poderia ser marcado, mas somente com a presença das mulheres “como forma de proteção, cuidado e garantia de segurança emocional e física.”

“Diferente de Bruno eu sempre estive presente como madrinha na vida do Bruninho. Minha presença nunca foi negociável e em nenhum momento Bruno se opôs. Ao contrário me agradeceu por estar ajudando ele (Bruno) a realizar o sonho da vida dele, que seria o encontro com o filho. E eu deixei claro. Não me agradeça, não estou fazendo por você e sim pelo Bruninho”, completou.

As condições para a reunião seriam que ela acontecesse em um local considerado seguro, discreto, sem a presença da esposa de Bruno e sem a imprensa. Bruno teria recebido o convite e tido oito dias “para pensar”, conforme a carta. A família afirma que 24 horas antes do evento, ele teria ficado incomunicável.

Além disso, diz que não havia qualquer pretenção de “cilada” ou “armadilha” contra o ex-goleiro. Em determinado momento do comunicado, Maria do Carmo ainda mostrou indgnação sobre como as coisas ocorreram.

Não somos Bruno. Minha única preocupação sempre foi a segurança absoluta do Bruninho. Nada além disso. Ele é — e sempre será — a minha única prioridade. Infelizmente, o que deveria ser um encontro delicado, humano e silencioso se transformou em um espetáculo, com áudios vazados para a imprensa, insinuações e versões lançadas ao público por parte de Bruno.

Maria do Carmo, madrinha de Bruninho

Ainda na carta, a família de Eliza Samudio destaca que “jamais irá manchar” a imagem de “Bruninho” e que foi dada uma “oportunidade que Bruno não merecia”.

Bruninho tinha, sim, interesse nesse encontro. Mas não por curiosidade, conveniência ou benefício pessoal. O que ele buscava não era vingança, dinheiro ou palco — era a chance de dar um enterro digno à própria mãe. Esse era o pensamento de um menino de apenas 15 anos.

Maria do Carmo, madrinha de Bruninho

Em trecho final, ainda é dito que um possível novo encontro entre Bruno e o filho não acontecerá mais. A CNN Brasil tenta localizar a defesa do ex-goleiro Bruno. O espaço segue aberto para manifestações.

Carta na íntegra:

“CARTA RESPOSTA A BRUNO FERNANDES

Há mais de três anos que Bruninho recebe mensagens de Bruno por meio das redes sociais. Por muito tempo, resistiu a qualquer tipo de aproximação.

Não foi uma decisão impulsiva. Houve medo, dúvidas e silêncio. Até que, por vontade própria, ele decidiu ouvir o lado da história do Bruno.

Essa decisão foi respeitada por mim e Sônia. No entanto, é fundamental lembrar que Bruninho tem apenas 15 anos. Por isso, desde o início, ficou claro que esse encontro só poderia acontecer com a minha presença e de Sônia, como forma de proteção, cuidado e garantia de segurança emocional e física.

Diferente de Bruno eu sempre estive presente como Madrinha na vida do Bruninho. Minha presença nunca foi negociável e em nenhum momento Bruno se opôs. Ao contrário me agradeceu por estar ajudando ele – Bruno a realizar o sonho da vida dele, que seria o encontro com o filho. E eu deixei claro, não me agradeça, não estou fazendo por você e sim pelo Bruninho.

O encontro foi organizado para acontecer em um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, em local considerado seguro e discreto, com condições claras: sem a presença da esposa de Bruno e sem imprensa.

Bruno teve oito dias para pensar. Oito dias para refletir sobre o que significava sentar diante do próprio filho. Assim como teve 8 dias para pensar o que fazer com Eliza: fazer DNA ou mandar mata-la. Todos sabemos qual foi sua escolha.

Ficou combinado que ele ia receber o endereço 24 horas antes do encontro. Mas ficou incomunicável durante todo dia anterior ao mesmo. Não atendia o telefone e nem respondia as mensagens.

Bruno sabia que a organização estava sendo realizada por mim e que seria em um local seguro, discreto e adequado, sempre priorizando o bem-estar do Bruninho. Tudo foi pensado com cautela, responsabilidade e respeito.

Por essa razão, quando Bruno afirma que estaria diante de uma “cilada” ou “armadilha”, essa narrativa se mostra incoerente, fantasiosa e profundamente injusta. Criada somente por uma mente que pensa que todos seriam capazes de atrair alguém para ciladas, como ele fez 2 vezes com Eliza.

Este texto existe para encerrar especulações e distorções.

Não existe, até o presente momento, qualquer medida cautelar contra ele. Portanto, não havia motivo algum para se falar em cilada, armação ou ameaça. Isso não passa de uma suposição equivocada criada para sustentar uma versão que não se sustenta nos fatos.

Volto a ressaltar que como ele já fez isso, é compreensível que ele pense que somos iguais a ele.

Não somos Bruno.

Minha única preocupação sempre foi a segurança absoluta do Bruninho.

Nada além disso. Ele é — e sempre será — a minha única prioridade.

Infelizmente, o que deveria ser um encontro delicado, humano e silencioso se transformou em um espetáculo, com áudios vazados para a imprensa, insinuações e versões lançadas ao público por parte de Bruno.

Uma conduta que revela contradição: em um momento, ele afirma que esse encontro era tudo o que mais desejava; no seguinte, constrói uma narrativa de ameaça e armação.

Algo que eu desafio ele provar.

É impossível não enxergar nisso uma trama, um movimento calculado que transformou um gesto de um adolescente ferido em um palco de confusão e exposição.

Da minha parte, deixo algo absolutamente claro: a verdade prevalece aqui.

E jamais permitirei que a imagem de Bruninho seja manchada, usada ou distorcida.

Eu sabia que estava dando uma oportunidade a Bruno Fernandes, que ele não merecia. Pois ainda é um homem que não pagou a pena pelo qual foi condenado em 2013 de 22 anos e 4 meses. Ainda é um criminoso, apenas está livre, por leis que permitem que ele esteja solto. Entretanto era decisão do Bruninho.

Bruninho tinha, sim, interesse nesse encontro.

Mas não por curiosidade, conveniência ou benefício pessoal. Ele estava disposto a ouvir Bruno, mas também queria fazer uma proposta profundamente humana e dolorosa: esquecer todos os processos em troca da informação sobre os restos mortais de sua mãe.

O que ele buscava não era vingança, dinheiro ou palco — era a chance de dar um enterro digno à própria mãe.

Esse era o pensamento de um menino de apenas 15 anos.

Após tudo o que aconteceu, Bruninho expressou, com palavras carregadas de dor e decepção, que Bruno perdeu a chance mais importante de sua vida. Porque agora, depois de tudo isso, esse encontro não acontecerá mais.

A nós, adultos, restam muitas indagações:

O que ele diria ao próprio filho?
Qual história pretendia contar?
O que realmente motivou toda essa movimentação?

O que espero agora é simples: que ele cumpra a lei, pagando tudo o que deve ao Bruninho — dívidas que já se aproximam de milhões de reais. Nada além do que é obrigação legal e moral.

Bruninho é um menino incrível, inteligente, sensível e extremamente dedicado. É claro que ficou decepcionado. Sentiu-se enganado. Passou uma noite difícil. A dor existiu. A frustração também.

Mas, no dia seguinte, ele levantou e foi treinar.

Bruninho não permitiu que mais essa decepção definisse seu destino, nem que a dor moldasse seu futuro. Ele escolheu seguir. Escolheu lutar pelo seu sonho. É um goleiro comprometido, disciplinado e resiliente.

Hoje, ele já retomou sua rotina. Vive em um ambiente onde é amado, respeitado, protegido e cuidado. E é assim que continuará: com dignidade, verdade e força — exatamente como ele merece.”

Relembre o caso de Eliza Samudio

Eliza Samudio, atriz e modelo paranaense, desapareceu em 4 de junho de 2010, após comunicar alguns amigos que realizaria uma viagem. Desde então, a jovem, de 25 anos na época, nunca mais foi vista. A partir deste momento, Eliza foi considerada morta após suspeitos assumirem o assassinato.

No período entre o final de 2008 e o começo de 2009, a atriz conheceu Bruno Fernandes de Souza, conhecido como “goleiro Bruno”, no Rio de Janeiro. O homem era jogador profissional de futebol e vivia o auge da carreira, atuando como titular do Flamengo.

Os dois tinham um relacionamento extraconjugal. O goleiro, que era noivo na época, mantinha, segundo testemunhas, mais de um relacionamento ao mesmo tempo. A atriz engravidou do goleiro e tornou pública a gestação e a paternidade de Bruno, em 2009. O fato repercutiu, o que gerou a negativa do atleta em assumir a criança.

Durante a gravidez, alguns registros de ocorrências foram feitos por Eliza. O filho do casal, Bruninho, nasceu em fevereiro de 2010. Em junho, um ano depois do anúncio da gravidez, Eliza foi considerada desaparecida. O último relato sobre o paradeiro dela, indicava para o sítio de Bruno, em Minas Gerais.

Após diligências da polícia, foram encontrados peças de roupas e fraldas no local. O filho de Eliza foi encontrado na periferia de Belo Horizonte.

Alguns condenados pela morte de Eliza contaram versões sobre o que teria acontecido com a mãe do filho do ex-goleiro. As confissões indicam que a modelo foi estrangulada, e depois de morta foi esquartejada. Nunca encontraram os restos mortais.

As versões nunca foram totalmente provadas, uma vez que a polícia nunca conseguiu encontrar os restos mortais da atriz.

A história amplamente divulgada, apresenta o crime como uma trama planejada pelo ex-goleiro. Ele foi condenado a 20 anos de prisão pelo crime, embora nunca tenha confessado que premeditou a morte de Eliza Samudio.

FONTE

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