Trump diz que “se convenceu” a suspender ação militar contra o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que “se convenceu” a suspender uma possível ação militar contra o Irã, em parte porque o regime iraniano teria cancelado execuções planejadas de manifestantes detidos.

“Ninguém me convenceu. Eu me convenci”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, enquanto partia para a Flórida.

Ele foi questionado se os aliados dos EUA no Oriente Médio o ajudaram a deixar de lado a ideia de ataques. A CNN noticiou na quinta-feira (15) que Arábia Saudita e Catar trabalharam para diminuir a tensão entre Irã e Estados Unidos. Além disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também ligou para o líder americano.

Trump também abordou execuções que estariam planejadas no Irã, destacando que a decisão da liderança iraniana de suspendê-las influenciou seu raciocínio.

“Eles iriam enforcar mais de 800 pessoas ontem, e eu respeito muito o fato de terem cancelado isso”, disse ele à jornalista Alayna Treene, da CNN.

Entenda os protestos no Irã

Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.

Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.

As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.

A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.

A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.

O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.

As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.

Organizações de direitos humanos disseram que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.

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