A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi realizada de maneira rápida e sem vazamentos, não havendo expectativa nem de aliados, nem de opositores ou críticos. É o que avaliou o analista de política da CNN Teo Cury durante o Hora H desta quinta-feira (15).
“Uma sede regional da PF (Polícia Federal) aqui em Brasília não está preparada para que uma pessoa fique presa ali numa cela que não é originalmente para ser uma cela, ainda mais um ex-presidente da República com idade avançada e com um quadro de saúde delicado e complexo que exige um tratamento específico”, explicou Cury.
Momento oportuno para a transferência
O analista destacou que a decisão de transferência não estava no radar neste momento, mas lembrou que no ano passado a informação de que essa transferência aconteceria já estava circulando. “Estava tudo preparado para que em algum momento acontecesse. Obviamente, houve a necessidade da cirurgia, houve a necessidade do procedimento, são coisas que não estavam no script“, afirmou.
Segundo Cury, após a estabilização do quadro de saúde de Bolsonaro, Moraes viu como um momento oportuno para essa transferência.
O analista também mencionou que a recente queda do ex-presidente no começo do mês levou a defesa a pedir novamente a prisão domiciliar.
Sobre a possibilidade de prisão domiciliar, o analista explicou que existe uma “balança” nas decisões de Alexandre de Moraes: “De um lado, o quadro de saúde. Do outro lado, o histórico do ex-presidente. Nesse momento, até agora, pelo menos, o histórico do ex-presidente é o que está pesando para mantê-lo na prisão e não em casa”.
Entre os fatores que pesam contra a prisão domiciliar de Bolsonaro, Cury citou a estadia de dois dias na Embaixada da Hungria, a minuta de pedido de asilo político para o presidente da Argentina, Javier Milei, a violação da tornozeleira eletrônica e aliados que fugiram do Brasil. “Esse histórico pesa contra Bolsonaro ir para casa”, concluiu.