Alguns vídeos que circulam online e que afirmam mostrar protestos no Irã foram gerados por inteligência artificial, segundo um grupo de monitoramento de desinformação com sede nos Estados Unidos, à medida que o apagão da internet no país torna cada vez mais difícil verificar as imagens.
A NewsGuard informou em um relatório que identificou sete vídeos gerados por IA, compartilhados tanto por contas pró-governo quanto anti-governo, que alegam mostrar os distúrbios, com alguns clipes alcançando até 3,5 milhões de visualizações.
Em um dos vídeos identificados pela NewsGuard, mulheres manifestantes parecem quebrar um veículo que supostamente pertenceria à Basij, a grande força paramilitar voluntária do Irã, criada pelo líder supremo aiatolá Ali Khamenei e frequentemente usada para reprimir manifestações.
A publicação recebeu 719.600 visualizações e 5.700 curtidas em um único dia, segundo a NewsGuard. No entanto, após analisar as imagens com a ferramenta de detecção Hive, a organização concluiu que havia 100% de probabilidade de o vídeo ter sido gerado por IA.
“O vídeo apresenta sinais claros de geração por IA, incluindo estilhaços de vidro que surgem inexplicavelmente e palavras grafadas incorretamente”, diz o relatório.
Outro conjunto de vídeos, compartilhado por contas conservadoras e anti-regime com sede nos EUA, supostamente mostrava manifestantes iranianos trocando placas de rua para renomeá-las simbolicamente com o nome do presidente Donald Trump. Um desses vídeos recebeu 91 mil visualizações e 7.100 curtidas em um dia, mas a NewsGuard afirmou que sua análise concluiu, com 100% de certeza, que o material também foi gerado por IA.
Desde o início dos protestos, em dezembro, ao menos 2.400 manifestantes foram mortos, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA. Com o Irã amplamente desconectado da internet, apenas uma parte das mortes pode ser confirmada, o que aumenta o temor de que o número real seja muito maior.
O grupo de monitoramento da internet NetBlocks afirma que o Irã está agora há sete dias sem acesso à internet, após um apagão nacional imposto pelo regime na semana passada, limitando severamente o fluxo de imagens, vídeos e relatos de testemunhas.
Apesar do apagão, a CNN conseguiu entrar em contato com algumas pessoas no país quando, por breves momentos, chamadas por telefone fixo e celular se tornam disponíveis.