Autoridades iranianas estariam cobrando de algumas famílias para recuperar os corpos de entes queridos mortos nos protestos em massa contra o regime e na consequente repressão, relataram dois iranianos à CNN.
Após Robina Aminian, uma estudante de design de moda de 23 anos, ser morta a tiros em um desses protestos, sua família foi a Teerã para encontrar seu corpo, disse o tio, Nezar Minouei, à CNN.
“A mãe dela, gritando, chorando e berrando, e com muita dificuldade, finalmente conseguiu acessar a área onde os corpos estavam guardados para começar a procurar o corpo da filha”, disse Minouei. “Ela encontrou o corpo da filha e praticamente teve que roubá-lo.”
Quando a família retornou à sua cidade natal, Kermanshah, “eles souberam que as autoridades estavam em sua casa procurando… para fazê-los pagar por isso.”
Enterraram Aminian em uma cova sem identificação, à mão, sem qualquer cerimônia, “por medo de que o governo recuperasse o corpo”.
Outro iraniano, que visitou um cemitério em Teerã e preferiu permanecer anônimo por questões de segurança, compartilhou um depoimento semelhante, afirmando que as autoridades “estão obrigando as pessoas a pagar para recuperar seus corpos dos hospitais e necrotérios”.
“Em alguns casos, eles nem sequer permitem que as pessoas recuperem os corpos”, acrescentou.
Tática já praticada anteriormente
Relatos semelhantes surgiram após uma onda anterior de protestos que varreu o país em 2019, e foram citados pela agência de notícias Reuters, pelo Departamento de Estado dos EUA e pelo veículo de notícias pró-reformas IranWire na época.
A acusação dependia do número de balas alojadas no corpo, disse o Departamento de Estado.
“Os hospitais estão lotados, e o governo está vasculhando registros e câmeras em busca de manifestantes que foram mortos ou feridos”, disse o iraniano que visitou o cemitério. “Estava muito cheio. As pessoas não conseguiam nem enterrar seus entes queridos.”
Ameaças de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir em apoio aos manifestantes no Irã, onde um grupo de direitos humanos afirmou que mais de 2.500 pessoas foram mortas nos últimos dias em uma repressão a um dos maiores movimentos de protesto contra o regime teocrático.
Segundo uma avaliação israelense, Trump decidiu intervir, embora o alcance e o momento dessa ação permaneçam incertos, afirmou um oficial israelense.
Três diplomatas disseram à Reuters que alguns militares foram aconselhados a deixar a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, até a noite desta quarta-feira.
Trump vem ameaçando abertamente intervir no Irã há dias, embora sem dar detalhes.
Em entrevista à CBS News na terça-feira (13), o presidente americano prometeu “ações muito fortes” caso o Irã execute manifestantes.
“Se eles os enforcarem, vocês verão o que acontece”, disse o republicano. Ele também incentivou os iranianos na terça-feira a continuarem protestando e a tomarem o controle das instituições, declarando que “a ajuda está a caminho”.