Trump e Powell têm relação conturbada marcada por críticas aos juros

“Dessa forma, é meu prazer e minha honra de anunciar a minha nomeação de Jerome Powell para ser o próximo presidente do Federal Reserve. Parabéns.”

Foi com essa frase que Donald Trump apresentou Jerome Powell no jardim da Casa Branca, no dia 2 de novembro de 2017. O então indicado à presidência do Federal Reserve tinha as graças de Trump e era tratado como homem de confiança do presidente dos Estados Unidos.

Powell foi primeiramente indicado por Trump e, em 2021, reconduzido ao cargo pelo então presidente Joe Biden. As presidências do Federal Reserve duram 4 anos – mas o “dono da cadeira” pode ser apontado várias vezes.

No entanto, a relação piorou rapidamente. As desavenças começaram ainda durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca, que terminou em 2021.

“Não, eu não estou contente com Jerome Powell. Eu não acho que ele está fazendo um bom trabalho de modo geral… Eu quero que ele renuncie? Vamos colocar assim, se ele fizesse, eu não iria pará-lo”, disse Trump também na Casa Branca, mas em 2019.

O motivo da crítica de Trump há 7 anos é o mesmo de agora: o patamar das taxas de juros. Trump, em 2026, avalia que elas estão muito altas e demorando para cair. Os juros americanos estão na faixa entre 3,50% – 3,75%, depois de três cortes do FED (Federal Reserve) ao longo do ano passado.

Trump acredita que eles estão freando a economia do país e que, sem eles, o país iria “crescer mais”. Ele também disse ter ficado surpreso sobre a indicação de Powell em 2021, mesmo tendo feito decisão parecida anos antes.

Desde então, tem ameaçado demitir o economista do cargo e cobrado sua renúncia – o chamando de “senhor atrasado” e “idiota”.

Nos EUA, o BC tem independência garantida pelo Congresso – e seus presidentes e diretores só podem ser demitidos “por justa causa”, como em casos de má conduta ou negligência. Nos 111 anos da instituição, um presidente nunca foi desligado pela Casa Branca.

A Casa Branca viu na reforma de US$ 2,5 bilhões na sede do FED em Washington como uma possível brecha para demitir Powell. Trump chegou a “vistoriar” a obra em junho do ano passado. A visita, tratada como inusitada, ocorreu uma semana antes da decisão do FED sobre os juros.

Ao lado de Powell, Trump voltou a dizer que adoraria “uma redução nas taxas”.

O republicano também tentou demitir a diretora do FED, Lisa Cook, em agosto de 2025. A acusação era de fraude imobiliária, algo prontamente negado por Cook. A Suprema Corte barrou temporariamente o desligamento e tomará uma decisão definitiva sobre o caso no dia 21 de janeiro.

Na última semana, procuradores abriram uma investigação criminal contra o FED e Powell. O inquérito também envolve a reforma ao prédio do BC americano.

Com isso, Powell respondeu às provocações da Casa Branca pela primeira vez. Em um pronunciamento de dois minutos, ele se defendeu e afirmou que a investigação se trata de uma tentativa de intimidação.

“A ameaça de acusações criminais é consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base na nossa melhor leitura do que serve o interesse público, em vez de seguir as preferências do presidente”, disse.

E pontuou que o caso envolve “se o FED será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências – ou se a política monetária será conduzida por pressão política ou intimidação.”

A Casa Branca nega qualquer envolvimento com o caso, mas vê a situação com bons olhos.

“E uma coisa é certa, o presidente deixou bem claro: Jerome Powell é ruim em seu trabalho. Quanto a saber se Jerome Powell é ou não um criminoso, essa é uma resposta que o Departamento de Justiça terá de descobrir”, afirmou a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt.

O mandato de Powell na presidência do Federal Reserve acaba em maio, mas ele pode seguir como parte do conselho de diretores da instituição até 2028.

*com informações da Reuters

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *