Considerado um dos principais nomes da teledramaturgia brasileira, o paulista Manoel Carlos, que morreu neste sábado (10) aos 92 anos, é dono de um currículo com produções inesquecíveis no imaginário das novelas nacionais.
Maneco tinha o hábito de batizar ao menos uma personagem com o nome de “Helena”. No “Tributo a Manoel Carlos” que foi ao ar na TV Globo em 2024, ele explica que o gosto pelo nome Helena remonta à mitologia grega, além da crença de que “Helena” é um nome mais adequado para uma personagem do que para uma pessoa real.
O autor também foi responsável por explorar e levar ao público pautas sociais de destaque nas épocas em que suas produções foram ao ar. Entre os temas, estão amor, família, vida, preconceitos, abuso e alcoolismo.
Veja abaixo cinco novelas de sucesso do autor:
“Baila Comigo” – 1981

Em 1981, Manoel Carlos apresentou sua primeira protagonista Helena (Lilian Lemmertz), na obra “Baila Comigo”. Na trama, os gêmeos idênticos Quinzinho e João Victor (ambos vividos por Tony Ramos) foram criados por família distintas, possuindo temperamentos diferentes e nunca souberam da existência um do outro. A ideia do encontro entre eles movimenta a novela até a reta final – quando o desfecho, de fato, acontece.
“Por Amor” – 1998

Em “Por Amor”, o autor propôs um questionamento ao público: o que você seria capaz de fazer por amor? Na história, Helena (Regina Duarte) foi capaz de renunciar à própria maternidade por amor à filha Maria Eduarda (Gabriela Duarte). Em cena, as duas engravidam na mesma época e vão para a maternidade juntas. Eduarda, no entanto, perde o bebê e não pode mais ter filhos. Helena, no impulso, troca as crianças para que a filha não sofra e, ao final da produção, a mentira é descoberta.
“Laços de Família” – 2000

Com Vera Fischer estrelando como Helena, mãe de Camila (Carolina Dieckmann), Manoel Carlos apresentou ao público a história de uma mãe que desiste do amor pelo jovem médico Edu (Reynaldo Gianecchini) em prol da filha – que também se apaixona por ele.
No desenrolar, Camila descobre que está com leucemia, necessitando de um transplante de medula. Novamente, Helena abre mão de um segundo amor, Miguel (Tony Ramos) para engravidar de Pedro (José Mayer), verdadeiro pai de Camila, para que pudessem salvar a vida da jovem. As comoventes cenas de Camila se tratando de câncer levaram a um aumento das doações de medula óssea, segundo o “Tributo a Manoel Carlos” exibido pela TV Globo.
“Mulheres Apaixonadas” – 2003

No centro da produção está Helena (Cristiane Torloni), uma mulher que resolve se entregar a uma nova paixão após 15 anos de casada. Diretora de uma escola do ensino médio, a protagonista está cansada da vida sem nenhuma emoção ao lado do músico Téo (Tony Ramos). Juntos, eles adotaram Lucas (Victor Curgula), mas Helena, no entanto, não sabe que o garoto é filho biológico do marido com a ex-garota de programa Fernanda (Vanessa Gerbelli).
Esta trama também teve um lado social marcante: Dóris (personagem de Regiane Alves) praticava maus-tratos contra os avós, Leopoldo (Oswaldo Louzada) e Flora (Carmem Silva). As cenas da novela aceleraram a aprovação do Estatuto do Idoso, em outubro de 2003.
“Páginas da Vida” – 2006

A trama se desenvolve a partir do momento em Nanda (Fernanda Vasconcellos) engravida do namorado Léo (Thiago Rodrigues). Grávida, a ela sofre um acidente e a obstetra Helena (Regina Duarte) salva a vida dos bebês, apesar de a jovem não conseguir sobreviver.
Marta (Lilia Cabral), que vive a avó das crianças, opta em ficar apenas com o menino, rejeitando Clara (Joana Mocarzel), diagnosticada com síndrome de Down. Helena, então, entra na briga para adotá-la.