Ao longo de 2025, quase 2 mil prisioneiros foram executados no Irã. O dado consta em um relatório elaborado pela organização Hengaw para direitos humanos, foram 1.858 mortos no total.
Esse número representa um aumento de mais de 100% em comparação com 2024, quando 909 prisioneiros foram executados no país.
A organização cita ainda que pelo menos 55 mulheres foram executadas, além de um menor infrator. Pelo menos 81 prisioneiros foram executados secretamente e sem direito a uma última visita familiar.
A maior parte dos prisioneiros (915) possuía acusações de homicídio, segundo o documento. Outros 852 haviam sido denunciados por crimes relacionados a drogas, enquanto 43 presos foram executados a partir de acusações políticas, religiosas e relacionadas à espionagem.
O relatório aponta ainda que, em 2025, pelo menos 74 civis foram mortos por disparos diretos das forças governamentais iranianas. O número representa um aumento de pelo menos 46 casos, equivalente a um aumento de 164%, em comparação com o ano anterior.
O maior número dessas mortes ocorreu em meio ao clima de segurança reforçada em todo o Irã durante os 12 dias do conflito entre Irã e Israel.
Onda de protestos
Nas últimas semanas, o Irã enfrenta uma onda de protestos no país contra o atual regime. Segundo a agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o país.
A agência, que defende os direitos humanos no Irã, informou em uma atualização na sexta-feira (9) que protestos foram registrados em 512 locais em 180 cidades.
Segundo informações, 50 dos mortos eram manifestantes, 14 eram policiais ou membros das forças de segurança e um era um “civil ligado ao governo”.
Os protestos são os maiores desde 2022, quando uma onda de manifestações foi desencadeada pela morte de Mahsa Amini, de 22 anos, que estava sob custódia policial após ser presa por supostamente usar o véu islâmico de forma inadequada.
A economia do país vem enfrentando dificuldades há anos, desde que os Estados Unidos reimplantaram sanções em 2018, após Donald Trump retirar os Estados Unidos do acordo nuclear internacional durante seu primeiro mandato.
Em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do seu valor em relação ao dólar, com a inflação oficial atingindo 42,5% em dezembro.