Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que estava desaparecido no Pico Paraná desde o dia 1º, foi encontrado com vida na manhã desta segunda-feira (5). Internado no Hospital Municipal de Antonina, o jovem relatou ao Live CNN os desafios que enfrentou durante os dias em que esteve perdido em uma das mais conhecidas trilhas do país.
“Não sabia que tinham todas essas pessoas me procurando, não tinha noção nenhuma, mas, tinha certeza de que minha irmã estaria me procurando”, relatou Roberto.
Segundo Roberto, o incidente ocorreu quando ele se distanciou do grupo durante a descida do pico. “Estava eu e essa minha amiga fazendo a trilha juntos e encontramos um grupo que também estava descendo – ela percorreu com esse grupo e eu fiquei um pouco mais para trás, com minha velocidade. […] Quando eu me dei conta, cheguei em uma encruzilhada onde não tinha mais visão de ninguém, e tinha um caminho entre a direita e a esquerda”, explicou. Ao optar pelo caminho que parecia sinalizado, acabou escorregando barranco abaixo, caindo no início de uma cachoeira.
Luta pela sobrevivência
O jovem passou dias sem se alimentar, contando apenas com a água que conseguia filtrar da cachoeira. “Nos dias que eu estava nessa trilha dessa cachoeira, não tinha nenhuma árvore frutífera, não tinha nada para comer. Só tinha a cachoeira, um pouco de água, que eu conseguia pegar para tomar um pouquinho, porque eu não sabia qual era a condição da água”, relatou. Roberto contou que chegou a ser arrastado pela correnteza por mais de um quilômetro e meio, perdendo seus óculos e uma das botas durante o incidente.
Os desafios não pararam por aí. “Todos os dias que eu estive lá, choveu bastante. Eu peguei muita chuva”, disse Roberto, que também enfrentou diversos perigos da fauna local. “Muito bicho que eu enfrentei. Mosquito, aranha, eu vi muita aranha. Pisei em algumas cobras, só que elas já estavam mortas. Graças a Deus não encontrei nenhuma onça”, relatou aliviado.
Resgate e recuperação
Durante os dias em que esteve perdido, Roberto contou que viu um helicóptero apenas uma vez, no primeiro dia. “A partir dali, achei que tinham encerrado as buscas, no segundo dia”, disse. O jovem explicou que os barulhos da selva e da cachoeira dificultavam a audição de qualquer som externo, incluindo possíveis equipes de resgate.
Renata, irmã de Roberto, que acompanhou as buscas, relatou sua preocupação durante o período: “O meu sentimento era de que ele estava lá, precisando de ajuda. O meu maior medo sempre foi térmico, porque lá teve um dia só de sol, muito sol, mas nos outros dias era muita chuva e frio”.
Agora em recuperação no hospital sem previsão de alta, Roberto fez um alerta: “Pessoas, não façam isso, por favor. Foi um risco enorme que eu enfrentei, foi literalmente um milagre que eu passei por lá”. Ainda sem previsão de alta, o jovem agradeceu às orações e ao apoio recebido durante o período. “Eu sou grato a Deus também, as orações das pessoas que fizeram orações por mim, eu agradeço infinitamente, porque foi o que me deu forças para continuar”.