A reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a tensão entre Estados Unidos e Venezuela, realizada nesta segunda-feira (5), representa uma oportunidade para o Brasil assumir um papel de mediador na região, mesmo sem expectativas de resoluções com efeitos práticos para o conflito.
De acordo com a analista Clarissa Oliveira, no Bastidores CNN, o encontro serve como um palco para que nações interessadas possam se posicionar e transmitir mensagens sobre a situação. “O que a gente pode esperar é sim um palco, um fórum para que as nações que têm interesse em se posicionar consigam de certa forma transmitir uma mensagem, fortalecer um discurso político que garanta um posicionamento mais firme diante do que está acontecendo aqui na região”, afirmou.
O Brasil, que solicitou participação na reunião, deve seguir uma linha diplomática alinhada com as declarações recentes de Lula (PT), condenando infrações ao direito internacional e defendendo a soberania dos países da região. A expectativa é que o discurso brasileiro evite confrontos diretos com os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, mantenha distância de Nicolás Maduro.
“É um palco para que o governo de Lula tente reivindicar novamente esse papel de mediador, de uma figura capaz de contribuir para a pacificação aqui na região”, explicou Clarissa Oliveira. A analista destacou que, apesar das tentativas do governo brasileiro de se colocar como intermediário em conflitos internacionais, para haver mediação é necessário que ambas as partes demonstrem interesse em uma pacificação, o que não parece ser o caso atual.
A situação representa um desafio diplomático para o Brasil, considerando a extensa fronteira com a Venezuela e a influência do país vizinho no contexto geopolítico latino-americano. Além disso, o momento é especialmente delicado por coincidir com o início de um ano eleitoral no Brasil, aumentando a pressão política sobre o governo Lula para equilibrar suas posições em questões internacionais sensíveis.