Protestos no Irã deixam três mortos e 17 feridos, diz mídia iraniana

Pelo menos três pessoas morreram e 17 ficaram feridas durante manifestações no Irã, informaram a mídia iraniana e grupos de direitos humanos nesta quinta-feira (1°), enquanto os maiores protestos contra a piora das condições econômicas no país desencadearam violência em diversas províncias.

Os manifestantes entraram em confronto com a polícia, atiraram pedras contra os policiais e incendiaram carros, afirmou a Fars.

A agência de notícias disse que alguns “tumultuadores” armados se aproveitaram de um protesto na cidade. Sem apresentar provas, a Fars afirmou que a polícia posteriormente confiscou armas de fogo de alguns indivíduos.

Naquela manhã, pelo menos duas pessoas morreram quando dezenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia no condado de Lordegan, na província de Chaharmahal e Bakhtiari, no sudoeste do país, informou a Fars.

Ainda não está claro se as vítimas eram policiais ou manifestantes. Vídeos não verificados que circulam nas redes sociais mostram manifestantes atirando pedras contra policiais uniformizados na província.

A agência de notícias Fars afirmou que manifestantes atiraram pedras contra o gabinete do governador, bancos e outros prédios governamentais.

A primeira morte conhecida ligada aos protestos ocorreu na noite de quarta-feira (31), quando um membro da milícia paramilitar Basij foi morto e outros 13 ficaram feridos na cidade de Kuhdasht, na província de Lorestan, segundo a mídia estatal.

A agência Fars divulgou um vídeo de um policial recebendo atendimento médico após supostamente ter sido incendiado por manifestantes.

A milícia paramilitar Basij é frequentemente mobilizada pelo regime para reprimir protestos.

Vinte pessoas foram presas durante os protestos, informou o promotor de Kuhdasht na quinta-feira, segundo a agência de notícias estatal Tasnim.

No condado de Malard, na província de Teerã, as autoridades prenderam 30 pessoas por “perturbação da ordem pública”, segundo a Fars. A agência citou Mansour Saleki, um funcionário do condado, que afirmou que os detidos estavam “abusando do direito legal dos cidadãos de protestar”.

Segundo investigações, vários dos manifestantes presos vieram de condados vizinhos, disse Saleki, segundo a agência Fars.

Situação econômica

Lojistas, comerciantes de bazares e estudantes foram às ruas em diversas cidades iranianas esta semana, entoando slogans contra o regime em protesto contra a situação econômica após a moeda atingir mínimas históricas.

Os protestos foram os maiores desde a onda de protestos em todo o país em 2022, desencadeada pela morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial após ser presa por supostamente usar o véu islâmico de forma inadequada.

Apesar de, até o momento, serem limitados, os protestos representam o capítulo mais recente da crescente insatisfação no Irã, à medida que a população reivindica silenciosamente espaços públicos e liberdades individuais por meio de atos de resistência descoordenados.

Autoridades dos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país vai intervir se o Irã “matar violentamente manifestantes pacíficos”.

“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu auxílio. Estamos prontos para agir”

Donald Trump, em publicação no Truth Social

O Departamento de Estado dos EUA afirmou, em uma publicação na quarta-feira, estar preocupado com relatos de que os manifestantes estavam sofrendo “intimidação, violência e prisões” e pediu às autoridades que encerrem a repressão.

“Primeiro os bazares. Depois os estudantes. Agora o país inteiro. Os iranianos estão unidos. Vidas diferentes, uma reivindicação: respeito às nossas vozes e aos nossos direitos”, disse o Departamento de Estado em uma publicação em sua conta em farsi no Facebook.

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