Salvador ultrapassa 500 mortos em ações policiais em 2025, mostra instituto

Salvador e Região Metropolitana ultrapassaram a marca de 500 pessoas mortas em ações e operações policiais em 2025, segundo o Instituto Fogo Cruzado. O número — 501 mortos — foi alcançado na última semana de novembro, 20 dias antes de quando o mesmo patamar foi atingido no ano passado, somente em dezembro.

Conforme os dados, houve um crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2023 e 2024 — ambos com 477 mortos.

Os números chegam nesse patamar pouco mais de um mês após o Governo da Bahia lançar o PQUALI (Plano de Atuação Qualificada de Agentes do Estado), que promete reduzir a letalidade policial nos próximos três anos. No entanto, o instituto pressiona as metas estabelecidas e fala em “desafios”.

De acordo com o Fogo Cruzado, o cenário de 2025 supera os dois anos anteriores. As Rondesps estiveram presentes em ocorrências que concentraram 43% de todas as mortes registradas em ações policiais em Salvador e RMS neste ano.

O perfil das mortes em 2025 revela ainda continuidade de um padrão estrutural, sendo 494 homens e 7 mulheres. Entre as vítimas com raça registrada (53% do total), 100% são pessoas negras, com 11 adolescentes, 489 adultos e 1 idoso.

Números da letalidade policial:

2025 (até 25 de novembro)

  • 501 mortos em ações/operações policiais em Salvador e RMS
  • 95 mortos em 25 chacinas policiais

2024 (até 25 de novembro)

  • 477 mortos
  • 46 mortos em 13 chacinas

2024 (ano inteiro)

  • 514 mortos em ações policiais
  • 55 mortos em 16 chacinas

Para a coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, Tailane Muniz, o lançamento do PQUALI é um avanço, mas que não alcança os números.

“É uma resposta a uma demanda antiga da sociedade civil. O plano chega em boa hora: reconhecer o problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Agora, nos preocupa que as metas possam ser tímidas diante do quadro que temos hoje”, afirma.

A Bahia lidera o ranking nacional de mortes decorrentes de intervenção policial desde 2022. Em 2023, foram mais de 1.700 mortos apenas no estado.

O que prevê o PQUALI

O plano determina a redução de 10% por semestre, até 2027, nas mortes causadas por agentes de segurança.

Entre as ações previstas estão:

  • Capacitar 30% dos profissionais de segurança para prevenção da letalidade;
  • Ampliar em 30% o uso de câmeras corporais;
  • Oferecer atendimento psicológico integral a agentes envolvidos repetidamente em confrontos com morte;
  • Aumentar a taxa de conclusão de inquéritos: 50% até 2026 e 70% até 2027.

O que diz a SSP

Em nota divulgada na última quarta (26), após reunião do CONESP (Conselho Estadual de Segurança Pública), a SSP-BA (Secretaria da Segurança Pública) destacou reduções gerais da criminalidade no estado para combater a violência em 2025 — mas não comentou os dados de letalidade policial.

Segundo a pasta, houve queda de 11,4% nos registros de homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte entre janeiro e a primeira quinzena de novembro; as prisões aumentaram 26% no período; em 2025, foram 6.251 armas apreendidas, alta de 17%; nos últimos 30 dias, o combate ao crime organizado reduziu em 42% as mortes violentas, segundo a Polícia Civil; as operações orientadas por inteligência resultaram no bloqueio de R$ 6 bilhões ligados ao tráfico de drogas e armas, com cumprimentos de mandados na Bahia, em São Paulo, no Rio de Janeiro e também no estado do Ceará; e também foram apreendidos 20 fuzis, além de outras armas longas e granadas, em ações na capital, Recôncavo e Extremo Sul.

O secretário Marcelo Werner reforçou que o governo aposta na integração das forças e que em fevereiro de 2026 será realizada eleição para novos conselheiros.

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