O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) abriu uma investigação para apurar as mortes que ocorreram durante a operação emergencial da Polícia Civil realizada no Complexo da Maré, na zona Norte do Rio, na última quinta-feira (26).
O confronto deixou três mortos e uma criança baleada dentro de uma escola. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos mortos seriam seguranças de um chefe do CV (Comando Vermelho).
De acordo com o MP, o corpo de uma das vítimas, identificada por familiares como um vendedor de queijos da região, chegou a ser considerado desaparecido por algumas horas, mas foi posteriormente localizado e reconhecido.
As câmeras corporais dos policiais envolvidos foram solicitadas pelo MPRJ, bem como laudos de local, de necropsia, BAMs (Boletins de Atendimento Médico), relatórios, termos de declaração e demais documentos produzidos no inquérito policial instaurado. Também foram determinadas as oitivas de testemunhas e familiares das vítimas.
A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia Civil do Rio de Janeiro e aguarda retorno.
A operação
Informações de inteligência apontaram a movimentação de criminosos fortemente armados no Complexo da Maré, em meio a uma disputa territorial entre as facções CV (Comando Vermelho) e TCP (Terceiro Comando Puro), pelo controle do tráfico de drogas na região. A operação envolveu agentes da Ssinte (Subsecretaria de Inteligência) e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais).
Durante o confronto, uma criança foi baleada dentro de uma escola da Maré. A Linha Amarela chegou a ser totalmente interditada, no sentido Fundão, por cerca de 15 minutos, na altura da Vila do João, de acordo com o COR (Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio).
Quatro unidades de saúde tiveram o funcionamento interrompido e escolas da região suspenderam as atividades presenciais por questões de segurança. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) orientou servidores e estudantes a permanecerem dentro dos prédios do Campus Maré, recomendou a suspensão da circulação entre os campi de Manguinhos e Maré e interrompeu as rotas dos ônibus circulares.
No Campus do Fundão, duas balas atingiram e atravessaram o prédio da Faculdade de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Alunos encontraram os projéteis no interior da unidade, registraram imagens e compartilharam as fotos nas redes sociais.
Em movimentação, um helicóptero da Core precisou fazer um pouso no gramado do campus. As atividades presenciais também foram suspensas na universidade.
Segundo a polícia, além dos três suspeitos mortos, um foi preso.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo