Tornados que atingiram o Paraná são reclassificados para categoria F4

Os tornados que atingiram Rio Bonito do Sul e Guarapuava, no centro-sul paranaense, foram reclassificados para a categoria F4 na escala Fujita, nesta quarta-feira (26). A informação foi confirmada pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná).

Conforme o laudo divulgado, as análises feitas — que integram meteorologia operacional, geointeligência, sensoriamento remoto e análise geoespacial —, apontaram para o aumento de dois dos três tornados que atingiram onze municípios da região; o terceiro tornado, que atingiu principalmente a cidade de Turvo, foi mantido na categoria F2.

O relatório também concluiu que o evento pode ser considerado um dos maiores desta categoria no Paraná nos últimos 30 anos, considerando a quantidade de tornados no mesmo evento, pessoas atingidas e destruição em diversos níveis.

Duas supercélulas provocaram uma sequência de tornados no Paraná, com trajetos que ultrapassaram 500 km no total. A primeira tempestade percorreu cerca de 270 km, gerando dois tornados. O Tornado 1 atingiu oito municípios variando entre F1 e F4, com pico devastador em Rio Bonito do Iguaçu (F4).

O mesmo sistema formou o Tornado 2, que passou por Candói (F2) e pelo distrito de Entre Rios, em Guarapuava, onde atingiu novamente intensidade F4. A velocidade média de deslocamento da supercélula foi de 80 km/h.

A segunda supercélula avançou aproximadamente 230 km, a cerca de 85 km/h, e formou o Tornado 3, classificado como F2 na passagem por Turvo.

Pela Escala Fujita, tornados variam de F0 a F5. F1 indica dano moderado (116 a 180 km/h), F2 representa severidade considerável (180 a 253 km/h), F3 caracteriza eventos severos (253 a 332 km/h) e F4 aponta destruição devastadora (332 a 418 km/h). O nível máximo, F5, é considerado “incrível”, com ventos que podem chegar a 511 km/h.

Algumas dessas nuvens, potencializadas pela elevada instabilidade termodinâmica, evoluíram para a categoria de supercélulas, rotacionando em torno de seu eixo vertical. Essa condição e o transporte de ar quente e úmido foram cruciais para a evolução das tempestades.

Trajetória dos tornados

O Tornado 1 deixou um rastro de destruição ao longo de 75 km, atingindo uma área estimada de 12,4 mil hectares. A largura do funil variou de 750 metros em Quedas do Iguaçu a 3,25 km na zona de maior intensidade, em Rio Bonito do Iguaçu, onde atingiu categoria F4 e provocou danos extremos, incluindo destruição de edificações, arremesso de veículos e tombamento de um caminhão.

Ao avançar por 44 km em Guarapuava, o Tornado 2 também registrou intensidade F4. Os danos incluíram colapso total de casas de alvenaria, devastação de vegetação e o arremesso de um contêiner por cerca de 150 metros. A área de impacto foi estimada em 2,3 mil hectares, com largura entre 500 e 1.160 metros.

Já o Tornado 3 teve o menor percurso: 12 km e 570 hectares de área atingida. A largura variou de 400 a 675 metros, com média de 525 metros. Mesmo menos extenso, manteve potencial destrutivo significativo ao longo de sua trajetória.

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Consequências

Na época, o Simepar classificou o tornado no nível F3, implicando ventos que podem chegar a 250 km/h. O governador Ratinho Júnior (PSD) classificou a catástrofe como “sem precedentes” na história do estado, uma “situação de guerra”.

  • Vítimas: Sete pessoas morreram (seis em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava), e 750 pessoas ficaram feridas, totalizando 784 atendimentos na rede hospitalar;
  • Destruição: Cerca de 90% dos edifícios em Rio Bonito do Iguaçu foram danificados ou atingidos, com relatos de postes e fios caídos e estruturas metálicas retorcidas. Houve pelo menos 1.000 pessoas desalojadas e cerca de 28 desabrigadas.

Em resposta, o governo do Paraná decretou estado de calamidade pública no município e luto oficial de três dias em todo o estado. Uma força-tarefa integrada com mais de 50 bombeiros, Defesa Civil, Copel e Sanepar foi mobilizada. O governo federal enviou ajuda humanitária, medicamentos e materiais.

O tornado causou prejuízos econômicos de R$ 114,5 milhões. Os números estão em levantamento da CNM (Confederação Nacional de Municípios), divulgado na última segunda-feira (10).

O governo do Paraná encaminhou à Assembleia Legislativa do estado, em regime de urgência, um projeto de lei que propõe um auxílio de R$ 50 mil por família atingida pelos estragos do fenômeno climático.

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