Chefe das Forças Armadas dos EUA para América Latina vai deixar cargo

O almirante norte-americano que lidera as forças militares dos EUA na América Latina, Alvin Holsey, deixará o cargo no final deste ano, anunciou o secretário de Defesa, Pete Hegseth, nesta quinta-feira (16), em uma decisão surpreendente que ocorre em meio à escalada das tensões com a Venezuela.

Holsey assumiu o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA no final de 2024 para um cargo que normalmente dura três anos.

Fontes relataram à Reuters que houve tensão entre ele e Hegseth, além de questionamentos sobre se ele seria demitido nos dias que antecederam o anúncio.

O almirante confirmou a notícia nas redes sociais, afirmando que estava se aposentando a partir de 12 de dezembro, mas não especificou detalhes.

“Foi uma honra servir nossa nação, o povo norte-americano e apoiar e defender a Constituição por mais de 37 anos”, disse ele.

A notícia surge enquanto os EUA realizaram vários ataques contra suposto cartéis de drogas no Caribe.

 

Nem a Marinha nem o Comando Sul responderam aos pedidos de comentários.

“A renúncia do almirante Holsey apenas aprofunda minha preocupação de que este governo está ignorando as lições duramente aprendidas em campanhas militares anteriores dos EUA e os conselhos de nossos combatentes mais experientes”, disse o principal democrata do Comitê de Serviços Armados do Senado, senador Jack Reed, em comunicado.

A saída de Holsey tem como pano de fundo um reforço militar dos EUA no Caribe que inclui tropas de mísseis guiados, caças F-35 e cerca de 6.500 soldados, à medida que o presidente norte-americano, Donald Trump, aumenta o impasse com o governo venezuelano.

Os ataques militares dos EUA contra barcos suspeitos de tráfico de drogas na costa da Venezuela mataram pelo menos 27 pessoas, o que gerou alarme entre alguns especialistas de direito e parlamentares, em sua maioria democratas, que questionam se os ataques estão de acordo com as leis de guerra.

O governo Trump argumenta que está em uma guerra contra grupos narcoterroristas da Venezuela, o que torna os ataques legítimos.

Na quarta-feira (15), o líder dos EUA revelou que havia autorizado a Agência Central de Inteligência a realizar operações secretas dentro da Venezuela, aumentando a especulação em Caracas de que os Estados Unidos estão tentando derrubar o presidente Nicolás Maduro.

Holsey é o mais recente de uma série de oficiais-gerais a deixar suas cargas desde que Hegseth assumiu o comando do Pentágono. Algumas demissões foram abruptas, incluindo a chefe do Conjunto Estado-Maior, CQ Brown, que era negro, e a chefe de Operações Navais da Marinha, Lisa Franchetti, que foi a primeira mulher a ocupar o cargo.

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