Venezuela apela ao Conselho de Segurança por presença dos EUA no Caribe

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu, nesta sexta-feira (10), em sessão de emergência a pedido da Venezuela em meio às crescentes tensões militares no Caribe.

Caracas anunciou na quinta-feira (9) que havia solicitado esta reunião devido ao “ataque armado” que os EUA poderiam realizar “muito em breve”.

Na reunião desta sexta-feira, que começou às 16h, Samuel Moncada, representante permanente da Venezuela na ONU, disse que seu país “vem aqui para exigir que o governo dos Estados Unidos cumpra com suas obrigações internacionais”.

Ele acrescentou que há maneiras de superar as diferenças entre os dois países e que a Venezuela “está e estará disposta a dialogar com o objetivo de superar quaisquer dificuldades por meios políticos e diplomáticos para preservar nossa região como uma zona de paz”.

A região caribenha próxima à Venezuela tem sido um ponto crítico devido aos deslocamentos militares dos EUA e aos recentes ataques a quatro barcos que, segundo o governo americano, transportavam drogas.

O governo venezuelano vê essas ações como uma tentativa de Washington de promover uma mudança de regime.

“Os Estados Unidos acreditam que o Caribe lhes pertence porque usam a Doutrina Monroe expansionista há mais de 100 anos, que nada mais é do que um fardo do colonialismo”, acrescentou Moncada em sua mensagem.

Neste contexto, Moncada propôs três ações ao Conselho de Segurança da ONU para controlar a situação entre os dois países:

  • “Que seja determinada a existência de uma ameaça à paz e à segurança internacionais devido à atual escalada militar do governo dos EUA no Caribe.”
  • “Que sejam tomadas as medidas necessárias para evitar que a situação no terreno se agrave ainda mais.”
  • “Que seja adotada uma resolução do Conselho de Segurança na qual todos os seus membros, incluindo os Estados Unidos, se comprometam a respeitar a soberania, a independência e a integridade territorial da Venezuela.”

Por sua vez, John Kelley, representante interino dos Estados Unidos na ONU, disse que seu país “não é contra o povo da Venezuela, que tem o direito de ser representado por um governo legítimo”.

Kelley repetiu a acusação feita anteriormente pelo governo Trump: que o presidente venezuelano Nicolás Maduro “é o líder de um grupo narcoterrorista, o Cartel de los Soles, e é responsável pelo tráfico de drogas para os Estados Unidos e a Europa”.

Ele destacou que Maduro corrompeu instituições para executar as operações do cartel.

Moncada comentou que essas acusações foram feitas “sem nenhuma evidência”.

“Nunca vimos nenhuma evidência das acusações contra todas as nossas forças armadas, contra todo o nosso povo; eles alegam que há uma invasão, que somos uma ameaça, sem nenhuma evidência”, disse o representante venezuelano.

O que o Conselho de Segurança pode fazer?

O Conselho de Segurança é um dos órgãos mais importantes da ONU, criado em 1946 na tentativa de fornecer ferramentas diplomáticas e militares para manter a paz de forma assertiva.

Ele tem 15 membros, cinco dos quais — EUA, China, França, Reino Unido e Rússia — são permanentes e têm poder de veto, enquanto os 10 restantes se revezam a cada dois anos.

Mas justamente por essa composição, o Conselho de Segurança não tem surtido os efeitos esperados, já que decisões decisivas não podem ser tomadas sem o apoio dos cinco membros permanentes, que podem vetar as resoluções uns dos outros.

E considerando que a China e a Rússia são aliadas do governo venezuelano, que agora enfrenta os Estados Unidos, é muito difícil para o Conselho de Segurança quebrar a inércia desta vez.

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