O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) e o ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo falaram ao CNN Arena desta sexta-feira (10) sobre o Nobel da Paz vencido por María Corina Machado, líder da oposição da Venezuela contra o governo de Nicolás Maduro.
Ao ser questionado sobre se o prêmio dado a María Corina foi justo, Glauber afirmou que não, pois para ele a venezuelana “incentivou publicamente uma ameaça militar” contra seu próprio país, ao citar a mobilização dos Estados Unidos em colocar embarcações próximo da costa da nação sul-americana.
Para o parlamentar, o Nobel da Paz dado a Corina representa um “incentivo a uma ação de natureza golpista”.
“Ela vem a público de maneira jocosa e de forma efusiva dizer que Trump não estava de brincadeira. Ou seja, ela comemora, ela celebra uma ameaça militar. Como é que alguém que faz uma coisa dessa pode ser escolhida como prêmio Nobel da Paz? Evidentemente, isso é uma piada de muitíssimo mau gosto”, criticou.
Além disso, Glauber citou que o Nobel da Paz vencido por María Corina foi proposto um secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
“Então, nada disso está desconectado com as consequências que podem vir de uma agitação extremamente negativa e aí, nesse caso, eu não diria para a Venezuela só, que é a maior reserva de petróleo do mundo, mas para toda a América Latina e, mais especificamente, para o Brasil, já que os Estados Unidos estão de olho também nas nossas terras raras”, afirmou.
Segundo o Comitê Norueguês do Nobel, o prêmio foi concedido em reconhecimento ao trabalho de María Corina na promoção dos direitos democráticos para o povo venezuelano e sua luta por uma transição justa e pacífica para a democracia no país. A premiação representa um marco significativo para o movimento democrático no país latino-americano.
Em sua resposta, a opositora demonstrou determinação ao afirmar: “Estamos trabalhando muito para conseguir isso, mas tenho certeza que venceremos”.
Já para o ex-ministro, Ernesto Araújo, a escolha da líder oposicionista ao regime de Nicolás Maduro foi “justíssima”, ao citar que Corina “tem uma visão de mundo extraordinária”, e que luta contra o “regime brutal, genocida, exterminador”, mesmo cercada pelo o que chamou de “aparato de repressão”.
“Desde 2019, 2020, nós tentamos mobilizar essa comunidade para retomar a democracia na Venezuela, e agora, o que parece ser uma mudança, uma centralização com esse Prêmio Nobel, de que, mesmo setores assim mais recalcitrantes, estão vendo a realidade da Venezuela, o que significa a Maria Corina Machado como pessoa, como símbolo, e o que significa o que está do outro lado, um regime que está totalmente esgotado, um regime que oprime o seu povo há tantos anos”, comentou Araújo.
“Então, é uma esperança, é uma esperança para a comunidade internacional como um todo e para o Brasil também, para toda a América Latina, especificamente”, prosseguiu.
Ao citar a mobilização dos Estados Unidos no Caribe, próximo a Venezuela, Araújo afirmou que o país norte-americano age no combate ao crime, “que fez da Venezuela, graças ao Maduro e seu regime, uma base”.
“Então, eu acho que cada vez existe menos apoio para qualquer pretensão de legitimidade desse regime, que é justamente, eu acho, considerado pelos Estados Unidos como uma organização criminosa, o Maduro como o chefe de uma organização criminosa, e não como um presidente. Então, seja intervenção ou não intervenção, a questão é que solapa-se cada vez mais qualquer pretensão de legitimidade do Maduro e dos seus cúmplices”, ponderou.
*Sob supervisão de Douglas Porto