Análise: Governo projeta superávit, mas prevê déficit de R$ 23,3 bilhões

3O governo federal divulgou o Projeto de Lei Orçamentária para 2026, que prevê um déficit de R$ 23,3 bilhões nas contas públicas. O resultado, no entanto, não impede o cumprimento da meta de superávit de 0,25% do PIB, equivalente a R$ 34,3 bilhões, devido à exclusão de cerca de R$ 58 bilhões em despesas do cálculo fiscal. A análise é de Thais Herédia no CNN Prime Time.

O orçamento total ultrapassa R$ 3 trilhões e inclui um aumento real de 2,5% no salário mínimo, que chegará a R$ 1.631. As despesas poderão crescer em R$ 168 bilhões, seguindo as regras do arcabouço fiscal, enquanto as emendas parlamentares somam R$ 40,8 bilhões, com R$ 11,5 bilhões ainda não contabilizados.

Previdência e programas sociais pressionam gastos

A Previdência Social representa a maior despesa, ultrapassando R$ 1,11 trilhão em 2026, com projeção de alcançar R$ 1,3 trilhão até 2029. Outros gastos significativos incluem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) com R$ 130,6 bilhões, o Bolsa Família com R$ 159,5 bilhões, e abono e seguro-desemprego somando R$ 97,7 bilhões.

Premissas econômicas divergem do mercado

O governo projeta crescimento econômico de 2,44% para 2026, enquanto o mercado prevê 1,86%. Para o IPCA, a estimativa oficial é de 3,60%, abaixo dos 4,33% esperados pelos analistas. A taxa Selic é projetada em 13,11%, mais conservadora que a previsão de mercado de 12,5%.

O orçamento conta ainda com receitas extras estimadas em R$ 120 bilhões, provenientes de recursos do petróleo e cortes em benefícios tributários ainda não aprovados pelo Congresso Nacional. Especialistas apontam que a proposta segue o padrão histórico de superestimar receitas e subestimar despesas, sem apresentar soluções efetivas para o controle do crescimento da dívida pública.

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