Um navio de guerra dos EUA atracou no Canal do Panamá nesta sexta-feira (29), enquanto Washington intensifica o esforço naval no sul do Caribe para atacar cartéis de drogas latino-americanos.
Um grande aumento de forças navais dos EUA dentro e ao redor do Caribe fez com que autoridades em Caracas e especialistas nos Estados Unidos se perguntassem: a medida tem como objetivo combater cartéis de drogas, como o governo Trump sugeriu, ou tem outro objetivo?
Sete navios de guerra dos EUA, juntamente com um submarino de ataque rápido movido a energia nuclear, estão na região ou devem chegar em breve, trazendo consigo mais de 4.500 marinheiros e fuzileiros navais.
O presidente americano, Donald Trump, disse que combater os cartéis de drogas é um objetivo central de seu governo. Autoridades americanas disseram à Reuters que os esforços militares visam combater o tráfico na região.
Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca, disse nesta sexta-feira (29) que o aumento militar tinha como objetivo “combater e desmantelar organizações de tráfico de drogas, cartéis criminosos e organizações terroristas estrangeiras em nosso hemisfério”.
Mas não está claro exatamente como a presença militar dos EUA interromperia o tráfico de drogas.
Entre outros fatores, a maior parte do tráfico marítimo de drogas viaja para os Estados Unidos pelo Pacífico, não pelo Atlântico, onde estão as forças americanas, e grande parte do que chega pelo Caribe chega em voos clandestinos.
Autoridades venezuelanas acreditam que seu governo pode ser o verdadeiro alvo.
No início de agosto, os Estados Unidos dobraram sua recompensa por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro para US$ 50 milhões por alegações de tráfico de drogas e ligações com grupos criminosos.
Maduro, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o embaixador do país nas Nações Unidas, Samuel Moncada, disseram que os EUA estão ameaçando o país com destacamentos navais, violando tratados internacionais.