Brasilagro reverte prejuízo e lucra R$ 81,3 milhões no trimestre

A Brasilagro, uma das principais companhias agrícolas do país, registrou lucro líquido de R$ 81,3 milhões no primeiro trimestre do exercício 2026/27, encerrado em setembro, revertendo o prejuízo de R$ 64,3 milhões registrado em igual período do ano anterior. O resultado foi impulsionado principalmente pela venda de parte da Fazenda Rio do Meio, em Correntina (BA), e pela melhora do resultado financeiro da companhia. Apesar do lucro, a rentabilidade das operações agrícolas recuou.

A venda de 2.593 hectares da propriedade, localizada em Correntina (BA), gerou um ganho contábil de R$ 50,8 milhões. A transação teve valor nominal de R$ 94,2 milhões. Após um ajuste a valor presente de R$ 17,2 milhões e a dedução do custo contábil da área, de R$ 26,2 milhões, a receita reconhecida com a operação ficou em R$ 77 milhões.

O desempenho imobiliário ajudou a elevar o Ebita (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado total para R$ 94,6 milhões, crescimento de 47% na comparação anual.

Quando se considera apenas o desempenho operacional das atividades agrícolas, o Ebitda ajustado caiu 32%, para R$ 43,8 milhões. A retração reflete principalmente a piora no resultado de derivativos, que passou de um ganho de R$ 9,6 milhões para uma perda de R$ 3,4 milhões, além da menor contribuição das culturas de soja e milho.

A receita líquida da Brasilagro totalizou R$ 351,7 milhões no trimestre, alta de 1% em relação ao mesmo trimestre do ano fiscal anterior. Desse montante, R$ 300,9 milhões vieram das operações agrícolas, praticamente estáveis na comparação anual, enquanto R$ 50,8 milhões corresponderam ao ganho com a venda da propriedade.

Endividamento cai após venda de terras

A monetização de ativos também contribuiu para melhorar a estrutura financeira da companhia. A dívida líquida ajustada pelos recebíveis de vendas de fazendas caiu 51% no trimestre, de R$ 280,5 milhões em junho para R$ 136,3 milhões em setembro. A relação entre essa dívida e o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses passou de 2,82 vezes para 1,05 vez.

Além do reconhecimento dos recebíveis da operação Rio do Meio, a empresa recebeu R$ 71,7 milhões em parcelas de vendas anteriores de propriedades. A Brasilagro encerrou setembro com R$ 626 milhões a receber por vendas de fazendas, dos quais R$ 218 milhões previstos para os próximos 12 meses.

André Guillaumon, CEO da companhia, afirmou que a Brasilagro pretende manter uma postura mais conservadora em relação aos investimentos e ao endividamento. Segundo ele, a companhia já havia reduzido o Capex antes do período eleitoral e deve preservar essa estratégia diante da elevação das expectativas para os juros de longo prazo. Para o executivo, mais do que a taxa básica no curto prazo, é a curva futura de juros que afeta as decisões de investimento e a disposição dos produtores para assumir novas dívidas.

Apesar da redução da dívida líquida ajustada, o custo financeiro continua sendo um ponto de atenção. As despesas com juros chegaram a R$ 24,8 milhões no trimestre, alta de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a companhia, o saldo médio da dívida passou de R$ 894,9 milhões para R$ 1,074 bilhão em 12 meses.

Em outubro, os acionistas aprovaram a distribuição de R$ 30 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,3012 por ação, com pagamento previsto a partir de 16 de novembro.

Culturas mais rentáveis

Entre as culturas, a receita com soja recuou 7%, para R$ 112,1 milhões, enquanto a de cana-de-açúcar caiu 10%, para R$ 116,3 milhões. O milho teve avanço expressivo, de R$ 19,5 milhões para R$ 55,2 milhões, impulsionado pelo aumento do volume comercializado. Apesar disso, a margem bruta da cultura caiu de 20% para 2%, pressionada pelo aumento de 17% no custo por tonelada e pela redução de 4% no preço médio de venda.

Na soja, a margem bruta recuou de 30% para 27%. O preço médio de venda subiu 7%, mas o custo unitário avançou 13%, enquanto o volume faturado diminuiu 13%. Já a cana apresentou melhora de rentabilidade, com margem bruta de 17%, ante 14% um ano antes, favorecida pela redução dos custos por tonelada.

No campo, a companhia informou que o plantio da soja está mais adiantado em Mato Grosso. Na data da teleconferência, 91% da área prevista no estado já havia sido plantada. A empresa também remanejou parte da área inicialmente destinada ao milho para o cultivo de soja.

A antecipação do plantio é uma estratégia para reduzir a exposição ao risco climático, especialmente diante das incertezas relacionadas ao El Niño. Na Bahia, a companhia também acelerou os trabalhos nas áreas de sequeiro para tentar evitar que o período mais sensível de desenvolvimento da soja coincida com o veranico historicamente observado em fevereiro.

Safra 2026/27

Para a atual temporada, a companhia informou que já havia fixado preços de 57% da produção prevista de soja, a US$ 12,26 por bushel. Também havia adquirido 94% dos fertilizantes necessários à safra, a preços abaixo do orçamento, e plantado 49% da área prevista de soja até 22 de outubro, 17 dias à frente do ritmo registrado na temporada anterior.

A empresa revisou o planejamento de plantio diante das perspectivas climáticas associadas ao El Niño e da falta de recuperação dos preços do milho. A área de milho de primeira safra foi reduzida em 15% em relação à estimativa anterior, enquanto a projeção para a soja aumentou 1%.

A produção total de grãos e algodão está estimada em 439,3 mil toneladas, 3% abaixo da projeção inicial, mas 3% acima do volume registrado na safra 2025/26.

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