Em agosto de 1973, duas irmãs deixaram à deriva no oceano, na costa de Nova Jersey, uma garrafa de vidro com uma mensagem escrita à mão.
Dentro do recipiente, um bilhete dramático relatava um suposto sequestro no Atlântico.
Passados 53 anos, o vidro flutuante finalmente retorna para as mãos de uma das autoras.
Pescadores impiedosos e tubarões fictícios
A mensagem foi escrita por Allison Spencer, então com 16 anos, motivada por uma história inventada por sua irmã caçula, Laurie Blair, de apenas 9 anos. A carta começava com o alerta: “Esta garrafa foi lançada ao mar em 20 de agosto de 1973, na praia da Second Street, em Ocean City, enquanto meus captores me transportavam para uma ilha no Atlântico”.
O texto pedia para avisar a família que “um grupo de pescadores de esponjas impiedosos” as obrigava a mergulhar em águas infestadas de tubarões, terminando com a assinatura: “Você pode ter salvado minha vida! Obrigada! Laurie Blair”.
O achado no pântano
A garrafa permaneceu nas águas por mais de cinco décadas até ser recuperada por John Kauterman, cofundador da organização sem fins lucrativos Tidelands Initiative. Kauterman recolhia lixo em zonas úmidas do estado quando avistou o recipiente antigo e percebeu de imediato que se tratava de um achado especial.
“Eu pensei: ‘Nossa… a garrafa é antiga.’ Dei uma olhada dentro e… pensei: ‘Caramba, é verdade, temos uma boa aqui’”, disse ele em entrevista ao programa As It Happens, da rádio CBC.
Um verdadeiro milagre
Kauterman localizou Allison Spencer, atualmente professora de biologia em Ann Arbor, Michigan, e entregou-lhe a carta mantida intacta por 53 anos. A devolução teve um significado profundo para Allison. Sua irmã Laurie faleceu há nove anos, vítima de um câncer de mama, quando tinha pouco mais de 50 anos.
“Sinto muita falta dela, então é realmente algo maravilhoso e especial para mim que o bilhete tenha voltado”, declarou Allison durante a entrevista. Para a professora, ver a imaginação fértil de Laurie ressurgir do oceano após tanto tempo traz um conforto inestimável e a lembrança de momentos felizes.
“Laurie é quem tem a imaginação e está sempre inventando histórias malucas. Ela se divertiria muito com esses eventos. Parece-me um verdadeiro milagre que essa carta tenha voltado para mim”, concluiu.