Tenistas sofrem com ataques de apostadores e ofensas racistas online

Mais de 85% dos tenistas masculinos que geraram engajamento nas redes sociais no último ano foram alvo de abusos online, e a ATP bloqueou cerca de 234 mil comentários para impedir que chegassem aos atletas ou aos torcedores, informou a entidade na quinta-feira (23).

A ATP baseou as conclusões na análise de mais de 3,7 milhões de comentários nos canais da entidade e dos jogadores nas redes sociais, feita pela iniciativa Safe Sport, que usa moderação com inteligência artificial e avaliação de ameaças por especialistas.

A entidade informou que foram identificados mais de 284 mil comentários abusivos, e mais de 82% deles foram removidos em tempo real. No primeiro ano, o programa identificou e ocultou mais de 162 mil comentários com abusos considerados “graves”.

“O bem-estar dos jogadores está no centro do trabalho de proteção da ATP”, disse Andrew Azzopardi, diretor de proteção da entidade.

ATP promete investir em tecnologia contra o abuso online

“Impedir que mais de 234 mil comentários abusivos cheguem aos jogadores e aos torcedores demonstra o impacto concreto que o programa tem todos os dias. O abuso online não tem lugar no tênis.”

“Vamos continuar investindo na tecnologia, na expertise e nas parcerias que protegem os jogadores, e seguiremos trabalhando com as autoridades para responsabilizar os culpados.”

Tenistas, como muitos atletas, frequentemente precisam lidar com a fúria de agressores anônimos na internet, muitos deles apostadores. O francês Gael Monfils reagiu com humor a alguns deles após uma eliminação precoce em Stuttgart, no ano passado.

Monfils, de 40 anos, disse na ocasião que se surpreendia com o fato de ainda haver pessoas apostando dinheiro em sua vitória contra adversários muito mais jovens.

Gauff relata ofensas racistas e torneios ampliam o monitoramento

O abuso online não se limita a apostadores irritados. A norte-americana Coco Gauff disse, no início deste mês, ter recebido uma quantidade “insana” de ofensas racistas durante o China Open, o que levou a uma condenação do Escritório de Direitos Humanos da ONU.

A World Tennis, a WTA, o All England Club e a Associação de Tênis dos Estados Unidos (USTA) lançaram serviços de monitoramento que combinam inteligência artificial e dados de fontes abertas para ajudar a proteger os jogadores.

Roland Garros também disponibilizou aos jogadores um software com inteligência artificial para bloquear assédio e discurso de ódio online.

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