A redução do desmatamento na Amazônia evitou a emissão de cerca de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa, segundo estimativa do físico Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo. O volume equivale às emissões totais da França entre 2023 e 2025, estimadas em aproximadamente 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente.
A estimativa foi divulgada nesta sexta-feira (16), após o governo brasileiro anunciar uma nova queda no desmatamento do bioma. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia perdeu 3.335 km² de floresta, uma redução de 42% em relação ao período anterior e o menor índice desde o início do monitoramento, em 1988.
Em comparação com 2021, quando a área desmatada ultrapassou 13 mil km², a queda chega a aproximadamente 75%, de acordo com os dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Como foi calculada a estimativa
A comparação com a França considera as emissões de setores como transportes, indústria, agricultura e energia, conforme o inventário nacional francês. Os dados são apresentados separadamente das emissões e remoções associadas ao uso da terra e às florestas.
As 1,2 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente estimadas pelo ClimaInfo representam emissões evitadas acumuladas, e não uma redução registrada em um único ano. O cálculo busca dimensionar o efeito climático da diminuição da perda de florestas, uma das principais fontes de gases de efeito estufa do Brasil.
Desde 2023, o governo federal retomou planos de prevenção e controle do desmatamento, reforçou a fiscalização ambiental e adotou iniciativas de valorização da floresta em pé. A meta anunciada pelo governo é zerar o desmatamento até 2030.
Redução precisa ser mantida, diz pesquisador
Para Shigueo Watanabe Jr., a queda recente indica avanço em direção à meta de desmatamento zero, mas exige a continuidade das medidas de proteção ambiental.
“A queda histórica do desmatamento mostra que o Brasil está no caminho certo rumo à meta de desmatamento zero até 2030, mas ainda será preciso manter e aprofundar esse esforço”, afirma o pesquisador.
Ele também destaca a importância da redução das emissões em um cenário de aquecimento global. “Cada tonelada de CO₂ que deixa de chegar à atmosfera reduz o aquecimento futuro e a necessidade de remoções de carbono para trazer a temperatura de volta a níveis compatíveis com o Acordo de Paris”, diz.
Segundo Watanabe, evitar emissões dessa magnitude representa uma contribuição relevante para o combate às mudanças climáticas.
*Sob supervisão de Manuella Dal Mas