O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse na noite desta sexta-feira (16) que o Brasil tem mais de 30 mil imóveis que podem ser colocados em um fundo de gestão e securitizados para ajudar a pagar as dívidas da União.
“O Brasil tem mais de 30 mil imóveis, grande parte deles estão abandonados, a gente vai pegar esses imóveis, colocar num fundo de gestão. A avaliação desses imóveis, que está desatualizada, beira R$ 1,7 trilhão. Isso pode ser colocado num fundo que pode ser securitizado e já conseguimos aí, em função da situação que estão os imóveis, cerca de R$ 200 bilhões de receita nova que hoje nós não temos”, disse em entrevista à TV Globo.
“A gente tem que atacar e combater despesas. Meu governo vai ter [receitas novas]. Hoje, o atual governo tem 39 ministérios, vamos cortar pelo menos 10, óbvio que isso não gera um grande impacto nas contas, não geram uma economia na proporção de R$ 200 bilhões por ano”, prosseguiu, também citando “corrupção e má gestão” das empresas estatais como .
O candidato do PL (Partido Liberal) ainda defendeu que as dívidas que a União tem a receber também podem gerar receita.
“Se a gente pegar os quase R$ 3 trilhões de dívidas que a União tem a receber, isso também pode ser securitizado, trazemos mais R$ 200 bilhões de receita para o nosso orçamento por ano. É possível alcançar essa cifra”, explicou.
Como mostrou a CNN, o time econômico de Flávio vislumbra apresentar uma espécie de “PEC da Transição”, com corte de gastos na ordem de R$ 300 bilhões.
O valor é tratado entre interlocutores do candidato como um “número mágico”, a ser defendido já em 2026, para estabilizar a dívida pública, hoje na casa de 82% do PIB.
Seria, na prática, o oposto da “PEC da Transição” apresentada por Lula após a vitória eleitoral em 2022, quando o petista acertou com o Congresso uma proposta para gastar cerca de R$ 270 bilhões.
Segundo Flávio, o possível corte planejado estará direcionado aos prejuízos gerados pelas estatais e ao combate à corrupção.
Em meio às promessas da campanha de Flávio, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem levantado a bandeira de que fazer cortes no Orçamento Público significa “meter a mão no bolso do trabalhador”.
No último dia 8 de outubro, o petista pediu que a população “fique preocupada” quando outros postulantes prometerem cortes de gastos.
“Agora, eles estão dizendo que vão fazer cortes. Eu sei que o corte que eles vão propor, e é importante que a sociedade fique atenta […], porque no Brasil, toda vez que um governo fala que vai fazer corte, de ajuste fiscal, ele não fala tentando fazer com que os ricos percam alguma coisa, eles fazem essa proposta para tirar do pobre”, disse à imprensa. “Fiquem preocupados, porque quando se falar em corte significa meter a mão no bolso do povo trabalhador”, afirmou.