O papa Leão XIV foi diagnosticado, nesta terça-feira (13), com adenocarcinoma pulmonar, o tipo mais comum de câncer de pulmão. A doença é frequentemente associada ao tabagismo, representando até 70% dos casos, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). No entanto, este não é o único fator de risco para o desenvolvimento dessa enfermidade.
Para ajudar a entender o quadro, o oncologista Carlos Henrique Teixeira, coordenador do núcleo de tumores torácicos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explicou em entrevista ao Live CNN nesta quarta-feira (14), o que se sabe sobre esse tipo de tumor.
O principal fator de risco ainda é o cigarro, mas existe cada vez mais um número maior de pacientes que têm o diagnóstico de câncer de pulmão e que nunca fumaram, e aí a gente precisa entender quais foram os outros fatores pra isso acontecer.
Entre os fatores citados por Carlos estão: exposição à produtos tóxicos ligados a poluição e a predisposição genética. A OMS também fala sobre doenças pulmonares crônicas (como enfisema pulmonar) e inflamações nos pulmões.
“Cada vez mais a gente fala de poluição ambiental, existem fatores familiares de predisposição genética, existem outros fatores de risco como gás, alguns gases tóxicos, o radônio, por exemplo, o asbesto, então, e até mesmo essas mutações que podem ocorrer assim de forma aleatória ou por predisposição familiar, que podem, em último caso, provocar o surgimento do câncer e tudo isso fora aí do contexto do cigarro”, citou o médico.
O histórico familiar do papa neste caso é importante porque sua mãe morreu de câncer em 1990, seguido do pai que faleceu em decorrência do câncer de cólon e do irmão que está em tratamento contra câncer desde 2017.
Além disso, não há informações conhecidas de que Leão XIV seja fumante. O que se sabe, até o momento, é que o pontífice se mantém ativo e busca manter um estilo de vida saudável. Segundo o especialista, isso é importante para a melhora da doença. “Provavelmente, um adenocarcinoma num paciente que nunca fumou aumenta as chances de ele ter algumas mutações. Isso é um ponto favorável para pensar em tratamentos futuros”, explica o especialista.
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Doença grave, mas com chance de cura
Segundo dados da OMS, o câncer de pulmão é a principal causa de casos e mortes por câncer em todo o mundo e é frequentemente diagnosticado em estágios mais avançados, o que minimiza a chance de um tratamento bem-sucedido.
Por ser agressivo, a doença tem alta chance de metástase. Além disso, é um dos cânceres que mais atinge homens.
No entanto, segundo o oncologista, o fato do papa ter sido submetido a uma cirurgia indica que a doença pode estar em fase inicial, já que em casos mais delicados o procedimento não é recomendado. O próprio pontífice confirmou e informou que o nódulo encontrado em seu pulmão estava “bem controlado”.
Demonstra que a gente está diante de possivelmente um câncer ainda nas suas fases iniciais, o que traz uma grande chance de cura
Os médicos ainda aguardam os relatórios finais de patologia, que vão revelar a real extensão do tumor. Durante a cirurgia também são retirados gânglios linfáticos da região entre os pulmões, cuja análise será decisiva para definir quais serão os próximos passos.
Esses resultados indicarão se o papa precisará de tratamentos complementares, como quimioterapia ou terapia-alvo. “A gente não sabe ainda se o papa vai precisar de tudo isso ou não”, ressaltou o médico.
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