Mercado de defensivos para algodão bate recorde e movimenta R$ 8,2 bilhões

O mercado de defensivos agrícolas para a cultura do algodão movimentou R$ 8,217 bilhões na safra 2025/26, alta de 14% em relação ao ciclo anterior, quando somou R$ 7,19 bilhões. O valor é recorde na série histórica do levantamento da consultoria Kynetec, que atribui o avanço ao aumento do número de aplicações e do custo médio dos tratamentos.

Em dólares, o mercado cresceu 10%, de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão, segundo o estudo. A diferença entre as variações nas duas moedas reflete os efeitos do câmbio sobre os valores apurados.

O número médio de tratamentos por propriedade passou de 95, na safra 2024/25, para 107 em 2025/26, aumento de 13%. Já o custo médio por tratamento subiu 21%, de R$ 3.472 para R$ 4.209.

A área potencial tratada, indicador que soma a área alcançada por todas as aplicações de defensivos ao longo da safra, avançou 6%, de 196,31 milhões para 209,07 milhões de hectares. O indicador pode superar a área física cultivada porque contabiliza repetidamente as áreas que recebem mais de uma aplicação.

Os inseticidas concentraram a maior parcela do mercado, com R$ 4,119 bilhões, equivalentes a 50% do total. O faturamento da categoria aumentou 14% em relação aos R$ 3,606 bilhões registrados na temporada anterior. A área potencial tratada com esses produtos cresceu 11%, de 79,15 milhões para 87,66 milhões de hectares, segundo os dados da consultoria.

O controle do bicudo-do-algodoeiro e de lagartas respondeu por parte relevante da demanda por inseticidas. Segundo a Kynetec, o combate ao bicudo exigiu, em média, 18 tratamentos por propriedade e movimentou cerca de R$ 2 bilhões. Os gastos com produtos destinados ao controle de lagartas, por sua vez, chegaram a R$ 928 milhões, aumento de 17% ante os R$ 795 milhões da safra anterior. Segundo a consultoria, essas pragas têm ampliado sua participação nos custos de controle fitossanitário da cultura.

Na segunda posição, os fungicidas movimentaram R$ 1,986 bilhão, alta de 23% sobre 2024/25. A categoria respondeu por 24% do mercado e apresentou o maior crescimento proporcional entre os principais segmentos de defensivos, segundo os valores do levantamento. O levantamento atribui parte do avanço à demanda por produtos de maior valor agregado.

Os herbicidas ocuparam a terceira posição, com faturamento de R$ 1,143 bilhão, avanço de 6,3% em relação aos R$ 1,075 bilhão do ciclo anterior. A categoria representou 14% do mercado.

Nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outras categorias somaram R$ 986 milhões, cerca de 12% do total.

O levantamento foi elaborado a partir de entrevistas presenciais com produtores de quase 270 propriedades em regiões produtoras do país. A pesquisa abrangeu 97% da área cultivada com algodão no Brasil, estimada em 1,952 milhão de hectares.

Entre os dados regionais, a Kynetec identificou uma redução de 8% na área plantada em Mato Grosso, principal Estado produtor. O cultivo passou de 1,502 milhão de hectares para 1,376 milhão de hectares, segundo o levantamento.

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