O cantor Netinho, de 60 anos, morreu nesta terça-feira (13). O músico enfrentava uma recorrência do Linfoma não Hodgkin, doença grave que pode evoluir para um quadro de disfunção múltipla de órgãos e que, neste caso, ocasionou no falecimento do artista.
O Linfoma não Hodgkin é um câncer de sangue que se deriva nos linfócitos, células de defesa do organismo. A doença possui mais de 20 tipos diferentes e se espalha de forma desordenada pelo corpo. Por fazer parte do sistema imunológico, a doença pode enfraquecer e afetar órgãos vitais do organismo.
Segundo Philip Bachour, hematologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o Linfoma não Hodgkin pode ocasionar uma infiltração das células tumorais, comprimindo estruturas ou alterando o funcionamento do organismo.
A insuficiência renal pode ocorrer por diferentes mecanismos, como infiltração dos rins pelo linfoma, obstrução das vias urinárias, infecções ou pela chamada síndrome de lise tumoral. Essa síndrome ocorre quando uma grande quantidade de células cancerígenas é destruída rapidamente, espontaneamente ou após o início do tratamento, liberando substâncias na circulação que podem provocar alterações metabólicas graves e lesão renal aguda.
Em situações críticas, o quadro pode evoluir para uma resposta inflamatória sistêmica ou, como no caso de Netinho, para a chamada síndrome da falência de múltiplos órgãos.
Por se espalhar de forma desordenada, é importante intervir de forma rápida contra a doença.
De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), existem mais de 20 tipos diferentes de Linfoma não Hodgkin, e os casos têm aumentado nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos. A estimativa no Brasil para 2026 a 2028 é de 12.560 novos casos, sendo 6.580 homens e 5.980 mulheres para cada ano do triênio.
O que significa o tipo B?
O Linfoma não Hodgkin é um câncer hematológico que surge nos linfócitos, as células de defesa do organismo. Como o tecido linfático é encontrado em todo o corpo, o câncer pode se espalhar por todas as regiões.
No caso do Netinho, a doença se originou nos linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos que ajudam a combater infecções. No entanto, também existe o surgimento nos linfócitos T, que destroem germes ou células do corpo.
O linfoma pode começar em qualquer tipo, mas é mais comum ser do tipo B.
Diferença Hodgkin e não Hodgkin
Os linfomas Hodgkin e não Hodgkin não são a mesma coisa e constituem dois grandes tipos de linfomas. O primeiro caso é mais comum em pacientes jovens, enquanto o segundo é mais comum em pacientes idosos.
O Hodgkin se espalha de maneira ordenada entre os grupos de linfonodos. Já o não Hodgkin se espalha de forma não ordenada e mais rápida por qualquer região do corpo.
Os não Hodgkins podem ser do tipo B, ou seja, que se originam aos linfócitos B, ou podem ser originados dos linfócitos T. Então, são uma variedade de linfomas que podem ser agressivos, com multiplicação celular muito rápido, e outros que podem ser mais lentos, em que as células se multiplicam vagarosamente.
Sintomas da doença
De acordo com o Inca, os principais sintomas do linfoma não Hodgkin incluem:
- Aumento dos linfonodos (gânglios) do pescoço, axilas e/ou virilhas;
- Suor noturno excessivo;
- Febre;
- Coceira na pele;
- Perda de peso sem causa aparente.
Fatores de risco
Ainda de acordo com o Instituto, alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento do linfoma não Hodgkin. São eles:
- Sistema imune comprometido: doenças genéticas hereditárias, uso de drogas imunossupressoras (usadas em casos de transplantes, por exemplo) e portadoras de infecção pelo HIV
- Portadores dos vírus Epstein-Barr, HIV-1 e HTLV1 e da bactéria Helicobacter pylori (que causa úlceras gástricas)
- Ter tido infecção por Epstein-Barr, HIV-1 e HTLV1 e da bactéria Helicobacter pylori;
- Contato com substâncias químicas associadas à ocorrência da doença, como agrotóxicos, aminas aromáticas, benzidina, benzeno, bisfenil policlorado, tricloroetileno, tetracloreto de carbono, solventes orgânicos, radiação ionizante e ultravioleta, tetracloreto de carbono, entre outras;
Como é feito o diagnóstico e tratamento?
Para o diagnóstico do linfoma não Hodgkin são necessários vários tipos de exames.
Entre os indicados estão a biópsia (retirada de pequena porção de tecido, em geral dos gânglios linfáticos, para análise em laboratório), punção lombar, tomografia computadorizada e ressonância magnética.
A detecção precoce da doença é fundamental para o sucesso do tratamento, já que um tumor em fase inicial pode ser mais facilmente tratado. O diagnóstico precoce pode ser feito por meio de exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos em pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença ou com maior risco de desenvolvê-la.
A maioria dos casos de linfoma não Hodgkin são tratados com a ajuda de quimioterapia, podendo ser associada ou não a imunoterapia ou a radioterapia. Entenda cada uma delas:
- Quimioterapia: combina duas ou mais drogas, administradas por via oral ou intravenosa;
- Imunoterapia: uso de medicamentos que têm um alvo específico para um componente presente nas células do linfoma;
- Radioterapia: uso de radiação para erradicar ou reduzir a carga tumoral em locais específicos.