Asas de borboletas podem “enganar” predadores durante o voo; entenda como os padrões confundem a percepção

Para escapar de um predador, algumas borboletas podem contar com algo além da velocidade. Os desenhos espalhados pelas asas, quando vistos em movimento, são capazes de criar ilusões visuais que confundem a percepção de quem tenta capturá-las e dificultam o cálculo de um ataque.

A estratégia está ligada à combinação entre padrões contrastantes nas asas e o movimento do voo. Em determinadas situações, essas marcas fazem a borboleta parecer mais lenta ou sugerem uma trajetória diferente daquela que ela realmente segue. Para um predador que precisa decidir rapidamente onde atacar, a diferença pode ser suficiente para errar o alvo.

 O que o predador enxerga não corresponde exatamente ao voo

O mecanismo foi investigado por pesquisadores das universidades de Exeter e Essex, no Reino Unido, em um estudo publicado na revista científica Nature em setembro de 2026. O trabalho ajuda a explicar como alguns dos padrões encontrados nas asas podem desempenhar um papel na defesa desses insetos.

O efeito aparece quando listras e áreas de forte contraste se combinam com as rápidas mudanças de posição das asas durante o voo, criando sinais que podem alterar a percepção de velocidade e direção. Assim, ao tentar antecipar onde a presa estará no instante seguinte, um pássaro pode direcionar o ataque para um ponto ligeiramente atrás da posição real da borboleta.

Parte do fenômeno é relacionada ao chamado efeito do poste de barbeiro, ilusão visual observada nos tradicionais cilindros listrados de barbearias, em que o desenho parece se deslocar em uma direção diferente do movimento real.

Nas borboletas, as listras podem provocar uma distorção semelhante enquanto as asas batem. O recurso, porém, não é comum a todas as espécies, que também recorrem a estratégias como camuflagem e colorações de advertência para aumentar as chances de escapar de predadores.

Como o efeito das asas foi colocado à prova?

Para testar se a ilusão poderia interferir em uma tentativa de captura, os pesquisadores combinaram imagens de borboletas em voo, análises de centenas de espécies e experimentos com modelos virtuais. Em uma das etapas, voluntários tentaram atingir borboletas digitais em movimento e, diante de determinados padrões, tenderam a tocar atrás da posição real do alvo, indicando uma percepção equivocada de sua velocidade.

A equipe também analisou 397 espécies europeias e identificou na natureza características semelhantes às que provocaram maior distorção de movimento nas simulações. Os resultados reforçam a hipótese de que esses padrões possam favorecer as borboletas durante encontros com predadores.

O efeito, porém, não necessariamente funciona contra todos os animais. O estudo considerou principalmente mecanismos visuais associados às aves, enquanto outros predadores podem interpretar esses sinais de maneira diferente. Ainda assim, a descoberta mostra que desenhos aparentemente simples nas asas podem se transformar, durante o voo, em uma vantagem na hora de escapar de um ataque.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *