Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, e Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, avaliaram neste sábado (3) os resultados das pesquisas eleitorais divulgadas na reta final do pleito. Os especialistas identificaram uma movimentação de votos em direção ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo Russo, ficou “muito claro que nessa reta final o movimento que a gente chama de migração dos candidatos para o Flávio aconteceu”. Com isso, Flávio Bolsonaro passou a registrar maior intenção de votos no primeiro turno.
O especialista também destacou uma queda expressiva no número de indecisos: na pesquisa espontânea da Quaest, esse índice recuou para 17%, reduzindo-se a quase metade em relação a levantamentos anteriores.
Russo observou ainda que tanto Lula quanto Flávio ganharam espaço e força na participação dos votos com esse movimento.
No entanto, ao analisar o conjunto das pesquisas, o especialista afirmou que “o maior cenário, a maior probabilidade é de a gente ter um segundo turno“, com Lula aparecendo “um pouquinho à frente” de Flávio, mas sem que nenhum dos dois consiga atingir os 50% mais um necessários para uma vitória no primeiro turno.
Movimentação na reta final
Barreto utilizou as metáforas de “retrato” e “filme” para descrever o cenário eleitoral. O retrato, segundo ele, mostra Lula liderando as pesquisas por uma margem de um a dois pontos, dependendo dos institutos e agregadores. Já o filme — que registra o movimento dos eleitores ao longo do tempo — revela “uma movimentação pró-Flávio”.
O analista ressaltou que essa movimentação não se encerra com a divulgação das últimas pesquisas. “Provavelmente ela vai se transcorrer durante todo o período de votação”, afirmou.
Barreto ponderou que, embora haja claramente uma onda favorável a Flávio, “o que a gente não pode dizer é o tamanho dessa onda”, algo que só será conhecido com o resultado das urnas. Para ele, o desfecho será determinante para organizar as campanhas em um eventual segundo turno.